Agradeço ao Toni Reis pelo envio desse artigo e compartilho com vocês, com todo o carinho que transborda do coração das mães, pais, aliados e pessoas sensíveis à causa LGBT, como a Amparo Caridade. Não a conheço ainda, mas fiquei emocionada com o artigo. Vejam abaixo.

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Pessoal   quero compartilhar  um artigo da querida Aliada Amparo Caridade , Psicóloga. Psicoterapeuta, Mestra em Antropologia. Professora Adjunta da Universidade Católica de PE – Unicap.  Membro do Conselho Editorial da Revista da SBRASH – Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.

Amparo muito  obrigado por sair a campo em nossa defesa, um exemplo para academia.

Infelizmente estamos sendo atacados pelos fundamentalistas religiosos (vide PLC 122) e são poucos os que nos defendem com tanta firmeza.

Precisamos  mais de intelectuais orgânicos como você.

Obrigado  em  nome  da  ABGLT.

Toni  Reis

HOMO, BI, HETERO – ASSIM É A HUMANIDADE.

Amparo Caridade *

Professora da UNICAP

Assim estamos na humanidade desde os primórdios. Não houve um tempo em que isso foi diferente. Entre primitivos e civilizados, intelectuais ou iletrados a pulsão humana para o amor sempre se manifestou numa dessas direções. Não se trata de um mal da nossa época, de uma falta de vergonha, pouca moral ou coisa semelhante. É a nossa humanidade, essa que atravessa nosso ser. É ela que é homo, bi ou heterossexual. Somos sim capazes de viver a sexualidade nessa diversidade de orientações. Isso é encontrado em todos os povos, raças, lugares de todos os tempos. Entre nossos índios como entre povos civilizados houve sempre interesses e vivências homo, bi ou heterossexuais. Grandes personagens da história foram homossexuais e sua forma de viver a sexualidade não os impediu de deixarem brilhantes contribuições nos mais variados campos do saber.

É desumano, cravar o punhal ou crítica ferina em pessoas que agem diferente de nós. Talvez devamos suspeitar de nossos saberes absolutos que se arvoram a discriminações. Saberes totalitários, diria, sobre o que é certo, errado, pecaminoso ou virtuoso. Saberes que não somam; dividem muito. Em nome desses saberes, idéias maquiadas de verdade, firmam-se preconceitos, intolerâncias, fundamentalismos, racismos, homofobias. Em nome de saberes assim absolutos se abriram campos de concentração que hoje envergonham a humanidade. O fanatismo atrai todos os raios e leva aos caminhos da perdição, disse bem o Jornalista do DP, José Adalberto Ribeiro

Os depreciadores da vida são muitos e curiosamente são eles que dizem como deve ser o mundo. O mundo não é mau; nossa desumanidade sim. Quando somos incapazes de amar a vida ficamos de mau humor e aí nos desumanizamos. Perdemos a capacidade de tolerar e apreciar a diversidade. Rejeitamos os que agem diferente de nós sem a busca de uma compreensão do que é mesmo o que se recusa. Recuperar a inocência do olhar será necessário à humildade e bem estar diante da realidade. Não é o tempo ou uma época que é má. Talvez o mal estar esteja na forma como somos e estamos no mundo. Cuidar do modo como estamos na vida é fundamental para que possamos estar bem no mundo tão diverso que nos cerca. Em nome de que, seríamos seus avaliadores?

Ser homo, bi ou hetero é a orientação sexual de cada pessoa. Não é uma escolha. Se o fosse, quem escolheria uma via que ainda é cheia de rejeições e preconceitos e que causa tanto sofrimento? O preconceito parece nos impedir de avaliar, como é feio e indigno, certos casais que em sagrados matrimônios se maltratam, desrespeitam, impõem vontades humilhantes ao eu do outro. Há muitos homossexuais que do alto de sua ética, competência, dignidade, responsabilidade humana e social fariam corar de vergonha certos preceituadores de virtudes autoritárias.

É em nome das intolerâncias que se fazem necessárias certas leis. Quando a humanidade falha em nós, a lei nos vigia e nos acode para que não percamos a cabeça contra nosso semelhante – e faz-se a lei. Foi aprovado o Projeto de Lei número 122, da Câmara, que criminaliza a discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. Benvinda a lei. Quem sabe ela nos ajuda a ver que o outro vale pelo que é como pessoa, como sujeito em seu existir.

*Amparo Caridade - Psicóloga. Psicoterapeuta, Mestra em Antropologia. Professora Adjunta da Universidade Católica de PE – Unicap. Livro publicado: Sexualidade – Corpo e Metáfora. Editora Iglu, 1997. Diversos artigos publicados em revistas brasileiras. Membro do Conselho Editorial da Revista da SBRASH – Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.

Texto publicado no Diário de Pernambuco, em 18/11/2009.

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Desde que meu filho me contou sobre a sua sexualidade eu senti que deveria ajuda-lo, logo percebi que seria mais uma enorme escada com seus muitos degraus para subirmos juntos, eu, meu marido e nosso filho. Comecei a ler, me informar, entrei para um grupo de pais de São Paulo, o GPH, e aprendi muito, participando da troca de emails entre mães de vários lugares do Brasil. Entrei nesse grupo porque precisava de ferramentas e apoio para poder ajudar meu marido. Foi por isso que entrei, comecei a participar e logo percebi que eu em pouco mais de um mês já estava num processo de aceitação bastante adiantado. No grupo haviam mães participando há 1, 2 ou mais anos e que conseguiam reviver o sofrimento da descoberta da sexualidade dos filhos dessa forma ajudando outras mães. Mas eu não conseguia fazer isso, e sofria. Vejam bem, eu me sentia mal por não poder ajudar aquelas mães, porque eu não sofri por ter um filho gay e por isso não sabia como ajudar.

Me falaram lá no grupo que eu tinha perfil militante. Estranhei e confesso que não me sinto uma ativista, porque não busco entender de leis, não estudo, embora eu apoie no que posso, mas não levanto bandeira. Na verdade, estou em processo para acertar o meu caminho na luta pela aceitação dos diferentes jeitos de amar, sem rotular. Minha luta é pela busca do respeito da individualidade. Se não faz mal a ninguém, então por que não pode existir? É nisso que acredito e é pelo caminho do amor que quero abrir portas e ver as pessoas felizes.

Meu filho entrou no quarto, numa noite de quinta-feira no final do mês de maio de 2008, como eu já contei aqui também, dizendo assim: mãe, preciso te contar uma coisa; eu fiquei com um menino, e a gente está namorando. Eu não queria ouvir, dei as costas pra ele na cama, falei do que adianta a terapia que você está fazendo? Ele me respondeu coisas confusas, dizendo que foi pela criação perto das mulheres da família, pela ausência do pai, que não queria saber de ficar com mulheres, etc. Confesso que no começo pouco sofri porque ele soube me ajudar a entender sobre a sua sexualidade.

Depois de 20 dias eu contei para o meu marido e caí no fundo do poço junto com ele, choramos, ele se culpava, eu o ajudava a entender. Fiquei o mês de julho praticamente inteiro sem trabalhar, chorando no trabalho, entrei para o grupo de pais buscando ajuda e lia tudo o que me mandavam. Fui me tornando forte e logo mais ajudava do que recebia ajuda no GPH. Ficava ausente por alguns períodos e depois de alguns meses me desliguei do grupo. Nesse meio tempo o namoro do meu filho foi acontecendo e o menino frequentava nossa casa. Chegava até a conversar com meu marido na sala e se sentia muito bem aqui, acolhido e amado, pois não tinha apoio em casa. As coisas iam caminhando.

Ele saiu numa noite de domingo da nossa casa e quando chegou em casa me escreveu um depoimento no orkut que guardei:

“Lxxx! Você não tem a idéia de quanto eu sou feliz e realizado por você ter aceitado, ou estar tentando aceitar o Gxxx. No dia em que saí da sua casa, fui embora pensando e imaginando como seria mais fácil pra mim, se tivesse uma mãe que apoiasse a minha situação também. Mesmo assim, entendo, e sei que não deve ser fácil pra ela também.
Minha família “esqueceu” ou pelo menos tentam esquecer isso, não se interessam, e nem demonstram vontade de me ajudar com isso. Não é confortável escutar que você é um desgosto todos os dias, e que desejavam outra história para um filho. Dizem que aceitam, mas ao mesmo tempo, não querem saber de problemas relacionados a isso.
Não sei se a mãe está preparada para ouvir alguém, eu ainda não sei qual seria a reação dela. Obrigado de coração por tudo o que você está fazendo. Pode ter certeza também que você, a Gxxx e o Gxxx são muito especiais na minha vida. :D fico muito emocionado em saber que existem pessoas assim, ainda mais sendo próximos.
beijos, Vxxx.”

Leio e releio e me emociono sempre!
Fiquem bem e me escrevam se precisarem.

Muitos beijos da mamis.

INFORME DO GRUPO DIGNIDADE, ABGLT E APPAD

 

Polêmica declaração do Governador do Estado, Roberto Requião, é tida como infeliz na fala de deputados estaduais.

Por Igor Francisco (Assessoria de Comunicação APPAD).


Em sessão iniciada nesta quarta-feira (28) na Assembléia Legislativa do Paraná, a polêmica declaração do Governador do Estado, Roberto Requião, “…Embora hoje o câncer de mama seja uma doença masculina também, né? Deve ser conseqüência dessas passeatas gay”, foi comentada por deputados estaduais e considerada infeliz.

Após apresentação da nota oficial divulgada pela Associação Paranaense da Parada da Diversidade – APPAD e do ofício assinado pelo presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbica, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Toni Reis, o deputado estadual Professor Lemos (PT) considerou desnecessária a fala de Requião.

“A fala do Governador contraria as próprias ações do governo do estado, afinal, dentro da Secretaria de Estado da Educação há um núcleo de diversidade sexual”, afirmou Lemos, após expor que o Brasil é considerado o país mais homofóbico do planeta, e que comentários como esse são contra a vida, são infelizes.

A violência e os 19 assassinatos ocorridos somente esse ano no estado também foram citados nos discursos dos deputados. Antonio Belinati (PP), fazendo um resgate histórico e ressaltando a importância da ABGLT na luta pelos direitos humanos, criticou Requião e explicou que esse tipo de comentário pode, consciente ou inconscientemente, incentivar a violência contra LGBTs, e que as pessoas de orientações sexuais não heterossexual estão inseridas em toda sociedade e devem, como qualquer ser humano, serem respeitadas.

A sessão contou ainda com a presença de Rafaelly Wiest, Presidente do Grupo Dignidade, Igo Martini, presidente do  Centro Paranaense de Cidadania (CEPAC) e Kelly Vasconcelos vice – coordenadora da APPAD.

 

Informações:

Márcio Marins – (41) 3222 3999 – ramal 21 – 9109 1950

Rafaelly Wiest – (41) 3222 3999 – ramal 26 – 9651 4204

Como contar para minha mãe

outubro 27, 2009

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“Você tem que me amar! Você tem que me amar!”

“Mãe Sempre Sabe? Mitos e Verdades sobre Pais e seus Filhos Homossexuais” é o nome de um livro da Edith Modesto, a primeira mãe a me ajudar com a aceitação da sexualidade do meu filho, e não é a toa. Sempre fica aquela dúvida, será que minha mãe desconfia, pois ela é tão próxima a mim? Ou será que se eu deixar pistas, quem sabe um bilhete da minha namorada, que ela pensa ser minha melhor amiga, então ela logo vai ler e poderemos conversar? Como ela irá reagir? O que será que vai me falar?

Amados, a única coisa que eu posso dizer a vocês com certeza é que não existem certezas, padrões, que nem toda a mãe sabe, que tem mãe que nem ao menos desconfia, tem mãe que quando sabe o mundo dela desaba, entra em depressão, poderá ficar sem falar com você, poderá te agredir física ou verbalmente (muitas palavras doem mais que tapas), poderá te expulsar de casa. Ou quem sabe ela poderá querer te ouvir e nessa hora você deverá estar preparado para ser um pouco mãe ou pai da sua mãe, para poder acalma-la dizendo coisas que você bem sabe sobre a sua sexualidade. Vamos relembrar?

- quem é LGBT (lésbica, gay, bissexual ou transexual) nasceu com essa condição, portanto é natural;

- ninguém obriga ninguém a ser homo, bi e nem ao menos travesti ou transexual, não existe uma motivação externa para definir a sexualidade, portanto é espontâneo;

- nunca nos pergutaram durante nossa educação, na escola, na catequese, entre amigos, se eu queria ser hetero ou homossexual, portanto não é opção sexual, mas é a sua orientação sexual;

- o seu jeito de amar não interfere no seu caráter, portanto ser LGBT não é sinônimo de ausência de valores;

- que existe o gradiente da sexualidade, que você vai saber melhor em livros ou comunidades especializadas no orkut, e que bem explicam o porquê de existirem as pessoas LGBT, e não somente homossexuais; e isto quer dizer que você poderá ser bem afeminado, muito masculinizada, talvez irá querer se relacionar com meninos bem masculinos como você, ou com meninas de cabelo curtinho e nada de batom embora você adore a cor rosa e umas plumas, assim como aquele seu amigo gay ator de teatro, ou a sua amiga traveca que é um verdadeiro luxo!

Lembre que o gay estereotipado está na mídia para complicar a vida da gente e dificultar em muito as coisas. Os preconceitos sociais e as cobranças sociais virão a galope rondar os pensamentos da sua mãe como e agora? Meu filho vai virar uma bicha louca! Minha filhinha linda vai parar de usar roupas femininas! Onde foi que eu errei?

Talvez ela se culpe, talvez ela culpe seu pai. Poderá dizer que foi culpa dos seus amigos, essa péssima turma com quem você anda!  Ela poderá achar que você está fazendo isso para chamar a atenção, para atrapalhar a vida dela. Nessa hora é que você deve pensar estou preparado? Estou com confiança em mim mesmo, já me aceito como lésbica? Quem sabe enquanto sua mãe se afasta, o que geralmente acontece, pois vemos vocês como estranhos (eu tive que me acostumar com um novo filho que nascia!), você se prepara para conversas de entendimento que poderão vir, ou que ao menos te fortalecerão para encarar todas as saídas do armário da sua jornada. Tenha paciência com a sua mãe, aprendendo a conversar com ela. Vocês precisam um do outro.

Estive pensando sobre como devemos nos sentir orgulhosos com as mudanças que fizemos ocorrer nas dinâmicas das nossas famílias. Eu fui mãe aos 14 anos. Minha mãe também perguntou onde foi que eu errei? E hoje eu vejo que ela errou quando não me deu atenção, quando esqueceu que ao colocar uma filha no mundo a fez se tornar uma pessoa responsável por outra pessoa. Ela teve que repensar muuuita coisa na sua própria vida quando eu contei que estava grávida: repensar o casamento com meu pai, repensar a educação dos meus irmãos mais novos, repensar como me educaria dali para frente. Sem dúvida fiz dela uma pessoa melhor.

“Não compro afeto.” Essa foi uma frase do Evando Santo (Christian Pior), que vi num dos seus posts (tá bom, a maioria é gozação, mas nesse ele falava muito sério) do blog Ovulando. No texto ele dizia, nas entrelinhas, para sua família algo como agora que estou famoso vocês me procuram, mas podem esquecer, porque não pago por afeto. Cito isso para você pensar nas perdas que ocorrem quando assumir sua sexualidade. Não é nada fácil. Essa perda de quem se ama pode começar dentro da sua própria casa, com quem mais teria que te apoiar nesse mundo, pois foi quem te colocou no mundo e teoricamente seria responsável por você, ou pelo menos para amar você incondicionalmente.

Me lembrei agora da Marise, a segunda mãe a me ajudar mas que é a primeira no meu coração, repetindo em umas das nossas reuniões de mães de homossexuais que os filhos só sabem dizer “você tem que amar, você tem que amar”, como o Baby Sauro da TV, que saiu berrando assim que quebrou a casca do ovo “você tem que me amar!” E os pais não conseguem sentir isso plenamente, por diversos fatores, que só quem é pai ou mãe entende o que estou dizendo. O que podemos fazer, que foi o que eu fiz e conheço muitas outras mães que fizeram, é reaprender a amar vocês diante desse novo referencial de filho que se apresenta. Temos que conhecer sobre a sexualidade, mais do que já sabemos, ou tudo o que ainda não sabemos que é o caso da maioria das mães de LGBT.

Finalmente querido, você pode pensar em adotar uma nova mãe, ou uma mãe substituta, para essa fase de afastamento que você pode estar passando, que já passou mas que ainda precisa de um colo, ou que ainda irá passar. E a sua mãe vai te acolher novamente, tenho certeza disso. Mas se na pior das hipóteses não acontecer, como na família do Evandro Santo, não se preocupe, não é culpa sua e tem mãe que merece mesmo perder o(a) filho(a). Concorda?

Um beijo carinhoso.

Como contar para a família

outubro 21, 2009

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Meus queridos, pensando sempre em poder ajuda-los, resolvi falar um pouco sobre como contar para a família, falando um pouco da minha experiência. Então vocês tentam traçar perfis com as suas vidas. Mas sempre tenham em mente que cada família é de um jeito, e que você precisa conhecer bem a sua e conseguir aliados para esse processo da aceitação de todos os que te rodeiam e que são importantes para a sua vida.

Primeiro meus amores, não existem regras ou algum passo-a-passo, mas posso dizer que em primeiro lugar, você precisa estar tranquilo com relação à sua sexualidade, se sentindo seguro (a), orgulhoso (a). Este sem dúvida podemos chamar de um primeiro passo. Porque pense comigo: você pensa em contar para os seus pais, ou já contou, mas não consegue falar sobre a sua sexualidade, não sabe acalmar seus pais com palavras que ajudem-nos a entender o que se passa com você, não tem paciência com eles, etc. A pressão psicológica dos pais é enorme e você precisa estar preparado (a).

Comigo não foi fácil. Quando meu filho me contou, sofri muito, chorei muito, pensando até que ele poderia morrer (vejam que loucura!) e assim a família não ficaria sabendo. A família. Isso é um fator muito relevante. A primeira coisa que pensei foi na minha mãe sabendo, meu pai, meu sogro, minha sogra (aff!), e querem saber mesmo, nenhum deles ainda sabe. Pois é, estou eu aqui, tentando ser a mais resolvida das criaturas, mas amores, saibam de uma coisa, para os pais não – é – fácil! Até hoje meu marido não fala sobre o assunto com o filho. Eles brincam, fazem piadinhas um com o outro, meu marido até aceitou que o primeiro namorado frequentasse nossa casa, mas tudo devagar, com passos de tartaruga. Eu até hoje não consegui contar nem para a minha irmã (e olha que nos damos super bem!). Por isso damos um passo de cada vez.

Na cabeça dos pais passa um milhão de coisas, sentimentos misturados, medos, angustias… Eu bombardeava meu filho com milhões de perguntas, mas como sempre tivemos uma relação tranquila, foi dessa forma que ele foi me dando as respostas e me ajudando a entender a sua diferença. Uma coisa que falei pra ele foi, mas filho, se você nunca ficou com meninas (isso mesmo, ele nunca sequer beijou uma menina) como sabe que não gosta? Foi quando ele me respondeu mas mãe, você já beijou mulher para saber que não gosta? Caiu minha cara no chão com essa, e com outras que ele me dizia, como por exemplo filho você não tem curiosidade de saber o porquê da sua homossexualidade, e ele me responde tá mãe posso até saber que foi na gestação, com uma falha genética, que foi minha convivência com as muitas mulheres da família e por ter um pai ausente, ou foi porque eu brincava quando criança com a bonecas da minha irmã e não ia ao clube com o pai falar palavrão, mas mãe, não vai mudar nada eu saber, pois não vou deixar de ser. Com muita paciência ele me respondia e dizia não para as minhas tentativas de faze-lo ficar com mulheres.

Aprendi com a Edith Modesto no GPH que nenhum pai ou mãe é educado para ter um filho gay, lés, bi ou trans. Idealizar um futuro formidável para o filho, imagina-lo como um ser humano realizado, é coisa que todo pai e toda mãe faz. E ah! nenhuma mulher quando está grávida acaricia sua barriga e diz ah tomara que seja um gayzinho! Não é verdade?! Então o caminho a se percorrer é longo para a aceitação e convivência com a diferença que vocês apresentam. É longo, mas tem um final feliz. Invista no processo de aceitação da sua família, comece por um dos membros, alguém bem próximo e que te dê abertura para conversar. Comece contando para seu irmão/irmã, para um tio, primo. Se o relacionamento com seus pais for difícil, quem sabe poderá contar com a ajuda dessa pessoa. Meu filho foi deixando pistas pelo orkut e a irmã viu, então antes de ele me contar eu já sabia que ele havia ficado com dois meninos porque  minha filha contou.

Então, primeiro pense na sua auto-aceitação, pense se você já está tranquilo com a sua sexualidade. Depois veja se já consegue contar para os seus amigos. Então já pode sondar um parente próximo em quem confie. E aos poucos, queridos, vocês vão vendo que as coisas vão acontecendo.

Ainda essa semana pretendo escrever mais sobre isso. E deixo aqui uma dica de filme, para quem não conhece: C.R.A.Z.Y., loucos de amor. Vejam as fotos do filme no meu orkut, me procurem lá: Intrépida Mãe. E a história é bem bacana para ver essa questão da aceitação familiar. Recomendo!

Um beijo carinhos da mamis.

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Demorei, mas agora sim vou contar sobre a minha aventura na primeira vez, que a gente nunca esquece, que participei de uma Parada da Diversidade.

No início do meu processo de aceitação da homo do meu filho, eu ouvia comentários diversos sobre a sexualidade humana, sobre gays, lésbicas, trans, sobre preconceito, sobre aceitação e sobre as “paradas gay”. Sobre as paradas eu acabei por ter uma imagem “ruim” pelas opiniões que ouvia, até mesmo falando para amigas que isso era tudo bagunça, que era ruim para a luta contra o preconceito pois as pessoas não se sensibilizariam vendo essa bagunça toda, que eu não apoiava, enfim, eu pensava com a cabeça dos outros.

Quando me aproximei do Dignidade, pois queria de alguma forma ajudar o movimento LGBT, conheci pessoas maravilhosas, sofridas, batalhadoras, que nem papel higiênico por vezes tem na sede, pois os recursos são bastante escassos. Pessoas que doam seu tempo pela conquista dos direitos de uma massa gigante de brasileiros, cidadãos marginalizados. Acolhem quem sofre violência, ajudam com apoio jurídico, ouvem para amenizar a pressão psicológica, oferem assistência social, organizam a Parada da Diversidade, se unem em Fórum para buscar a diminuição da violência e criminalização da homofobia, e além disso são homens e mulheres com suas dores, agústias, vida social,  empregos, ideais, alegrias e com um brilho nos olhos que é o amor que transborda dos seus corações. Me sinto honrada por estar próxima deles.

Eu tinha o sonho inicial de ajudar os jovens, pela internet, escrevendo pra eles, para ajuda-los com a auto-aceitação e com a aceitação familiar. Não sabia direito por onde começar, mas sabia que precisava começar. O Dignidade precisava de alguma ajuda, com coisas que estavam ao meu alcance e que se encaixavam no meu tempo, como material de criação gráfica e ajudar com o novo site. Estou dentro! O sonho de ajudar está se tornando realidade, pois me aproximo cada vez mais deles.

Então fiz o flyer do Fórum GDS para a Parada da Diversidade, com a ajuda de duas amigas mais que especiais, Ana e Indi, e consegui o apoio da gráfica OPTA para a impressão. Que felicidade! Veio o pedido de ajuda lá do querido Igor do Jovem Dignidade, e eu consegui ajudar. Entregamos para as pessoas nas baladas e nas ruas, o flyer que chamava o “sinal verde para a liberdade”. Conheci o Marcio Marins, presidente da APPAD do sábado que antecedia a Parada e ganhei uma camiseta para participar estampando meu apoio. Não pude participar das reuniões da organização da Parada, mas no domingo 27/09 eu estava cedinho lá, disponível para o que precisassem. Então, eu ganhei a “camiseta laranja”, a cor dos organizadores do evento! Me senti honrada. Dei carona para a praça da concentração para o Igor, Alberto, Juliana e aquela moça linda que espero possa me perdoar por esquecer seu nome. Eles estavam nervosíssimos, pois dali a pouco começaria o grande evento curitibano pela diminuição do preconceito contra LGBT. Ajudei com o que precisaram para os últimos detalhes e corri em casa almoçar.

Filhote voltou para lá comigo. Estacionamos no Mueller e de lá de cima tirei as primeiras fotos da concentração. Tudo lindo, cheio de gente e colorido. Descemos e fomos para o meio do povo, vimos o pronunciamento das autoridades e a contagem regressiva. Tudo perfeito!

a concentração

a concentração

Marisinha, amiga querida e mãe também, mostrando sua força

Amiga querida e mãe também, mostrando sua força

Deputado Dr Rosinha, Toni Reis - presidente da ABGLT e demais autoridades abrindo o evento

Deputado Dr Rosinha, Toni Reis - presidente da ABGLT e demais autoridades abrindo o evento

Rafa Wiest, presidente do Dignidade, estava lindíssima!

Rafa Wiest, presidente do Dignidade, estava lindíssima!

Mais fotos do estacionamento do shopping. Eu estava maravilhada de ver tanta gente unida pelos seus direitos. Voltamos para a avenida Cândido de Abreu e o Igor, presidente do Voz/ Jovem Dignidade chamou para subirmos no Trio Magia, o carro principal, de abertura, e que levava os grandes nomes paranaenses da luta LGBT. De lá eu não saí mais, e só vi alegria no rostinho das pessoas em volta. Não vi violência, mas sim famílias com seus filhos. Não vi baixaria, mas sim pessoas que se amam podendo demonstrar carinho publicamente. Não vi drogas, mas sim muita adrenalina nas veias de pessoas felizes.  Toni, David, Rafa, Igo, Marcio, Marli, Igor e seus amigos, meus parabéns por tudo o que vocês conseguiram nesse dia 27/09, em Curitiba. A festa estava maravilhosa.

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"tudo junto e misturado" - viva a diversidade!

"tudo junto e misturado" - viva a diversidade!

Espero que tenham gostado desse post.

Um beijo carinhoso.

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Oi queridos!

Está aí o panfleto (e também na gráfica para ser impresso) que vai divulgar a ação que clama pelo fim da violência contra LGBT. O Fórum Paranaense de Gênero e Diversidade Sexual em conjunto com a APPAD, Associação Paranaense da Parada da Diversidade,  teve a iniciativa de mobilizar a comunidade curitiba a ir para rua pedir o fim da violência contra LGBT. E eu ajudei queridos, e fiquei muito feliz, pois junto com minhas amigas fizemos o panfleto para divulgação da ação. Um agradecimento especial à Optagraf, que patrocinará a impressão dos panfletos.

O recado está dado: venha para a Parada da Diversidade com sua faixa e camiseta pedindo paz e o fim da violência e impunidade.

Um beijo carinhoso.

Arco-Íris

setembro 13, 2009

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Eu não falo inglês e também leio muito pouco. O grave problema que enfrento com isso é conhecer algumas canções e passar batida pelas lindas letras que elas tem e que poderiam de alguma forma me emocionar e aumentar a minha admiração por quem as compôs e/ou interpretou. Navegando hoje pelo twitter (essa maravilha compacta! viva a internet!), via @lupe1482 e @manucarvalho assisti no YouTube os vídeos “Homossexuality and the Bible”, e no final toca True Colors, segundo o Vagalume composta por Cyndi Lauper e Phil Collins. Eu já estava emocionada com o final do vídeo, no qual a fala do bispo sul-africano Desmond Tutu, que não a toa recebeu o Nobel da Paz em 1984, nos diz “eu não consigo, do fundo da minha alma, imaginar que Deus dirá ‘Eu te castigarei porque és negro, devias ser branco.’ ‘Te castigarei porque és mulher, devias ser homem.’ ‘Te castigo porque és homossexual, devias ter sido heterossexual.’” A religiosidade foi um dos fatores que me atrapalharam um pouco para aceitar totalmente meu filho, e que com toda a certeza em muito atrapalharão quando a minha mãe souber do neto. Nãe será fácil e precisarei lhe dar tempo e terei que ajuda-la a entender e conhecer a homossexualidade como eu fiz. Mas sei que o amor superará qualquer desses fatores, e que terei minha mãe como aliada quando ela souber e aceitar.

“É difícil criar coragem,
Num mundo cheio de pessoas…”

Cores Reais
Cyndi Lauper/Phil Collins

“Você, com olhos tristes,
Não fique desanimada.
Oh, eu sei,
É difícil criar coragem,
Num mundo cheio de pessoas
Você pode perder tudo de vista,
E a escuridão dentro de você
Pode te fazer sentir tão insignificante…

Mas eu vejo suas cores reais
Brilhando por dentro.
Eu vejo suas cores reais
E é por isso que eu te amo.
Então não tenha medo de deixá-las aparecerem,
Suas cores reais.
Cores reais são lindas como um arco-íris.

Mostre-me um sorriso então,
Não fique infeliz,
Não me lembro
Quando foi a última vez que vi você rindo.
Se este mundo te deixa louca
E você aguentou tudo que consegue tolerar,
Me chame,
Porque você sabe que estarei lá…

E eu verei suas cores reais
Brilhando por dentro.
Eu vejo suas cores reais
E é por isso que eu te amo.
Então não tenha medo de deixá-las aparecerem,
Suas cores reais.
Cores reais são lindas como um arco-íris…”

“E você aguentou tudo que consegue tolerar,
Me chame,
Porque você sabe que estarei lá…”

Um beijo grande, e um colo, aos meus queridos LGBT e amigos.

Essas imagens são da campanha contra a discriminação, criada pela agência holandesa imagine’.  Mostra um pouco da angústia vivida pelos nossos conhecidos lés, gays, bi, e ainda mais pelos queridos trans e travestis, por não poderem ser quem realmente são, por terem que esconder seu verdadeiro eu.

Logo que soube do meu filho me coloquei no lugar dele, na tentativa de imaginar pelo que ele deve ter passado e ainda passa. O papel dos pais é decisivo, e podemos ler mais sobre isso nesse artigo aqui, escrito pelo filósofo Paulo Ghirardelli Jr., perto do dia dos pais, comemorado nesse mês. Mas não é fácil ser pai e mãe de um filho diferente. Não é mesmo.

A aceitação para alguns é mais fácil, mas para a maioria é sofrida e leva tempo. E sabe o porquê? Porque nenhum pai ou mãe foi preparado para ter/educar um filho ou uma filha homossexual. Isso é muito bem lembrado pelo Ghirardelli nesse texto, uma vez que os pais imaginam os filhos como uma extensão de si próprios. Quando a mulher engravida, ou antes até, os sonhos já começam junto com as idealizações do futuro desse filho. Se for homem, será o “pegador”, terá uma carreria maravilhosa, casará depois de viver uma plena juventude do macho ideal. Se for menina, será educada para ser boazinha, super feminina, casar bem (bem = marido rico), gerar filhos e educa-los da mesma forma que a mamãe fez. Tudo igualzinho, sem sair dos padrões. E então, se o filho que cresceu é diferente disso, começa o sofrimento de ambos os lados.

Inicia-se um aprendizado. Os pais tem que olhar para um outro filho, e entenderem que é uma vida em separado, que não tem total poder sobre esses novos seres. A idealização do que seria o futuro desse filho terá que ser repensada e reaprendida. É um longo caminho a ser percorrido. Filhos, tenham paciência com seus pais, pois talvez eles sejam como os pais do texto do Ghirardelli, pais que imaginaram vocês sendo a extensão deles, e mais ainda,  sendo tudo o que eles não conseguiram ser. Se fosse possível prever, pais assim jamais deveriam ter se tornado pais.

Em seu texto, o autor nos diz que “a pessoa que quer ser pai deveria, antes de ter filhos, olhar para o espelho e falar: não sou deus, portanto, o que vier como filho, não poderá ser alterado por mim, e terei de não só aceitar, mas amar.” Nossa sociedade está doente e um dos causadores dessa doença é o altruísmo dos pais, do “eu sou” e “meu filho é”, e quando esse pai não pode falar o que o filho é, a doença se agrava, podendo ser fatal. O preconceito vem disso, do desconhecimento, da impaciência e da intolerância com o que é diferente do que para eles seria o ideal.Não querer pensar, não querer aprender.

Vocês são guerreiros, são heróis, são seres evoluídos, vão ensinar eles a repensar e a reaprender. Mas tenham paciência, e procurem ajudar. Eles precisam de vocês. Mas não angustie se não for bem sucedido nessa tarefa. Se você tentou e não resultou em nada, não se preocupe porque não é só sua essa responsabilidade. Eles perderam esse filho. Eles não merecem esse filho.

Beijos da mommy.

Achei oportuno reproduzir aqui as respostas dos leitores à entrevista das Páginas Amarelas da revista Veja. Para podermos pensar. E também pelo fato de publicarem a resposta do querido Toni Reis, grande homem da luta contra o preconceito.

Data: 17/08/2009

Veículo: VEJA

Assunto principal: LGBT

Parabéns à jornalista Juliana Linhares pela coerência das perguntas feitas na entrevista com Rozângela Alves Justino. Infelizmente não podemos parabenizar a entrevistada. A psicóloga fere frontalmente os princípios da ciência, a Organização Mundial de Saúde e o código de ética de sua profissão ao pretender mudar a orientação sexual dos homossexuais com base em suas convicções religiosas. Na mesma semana dessa entrevista, a Associação Americana de Psicologia (APA) declarou que “não há evidência alguma que apoie a afirmação de alguns profissionais de que a orientação sexual pode ser alterada por terapia”. No exercício da profissão de psicólogo, deve haver o respeito à cidadania das pessoas LGBT, e não o incentivo ao preconceito, à discriminação e ao estigma. Nas palavras da juíza Emília Maria Velano, em sentença sobre a alegação de inconstitucionalidade feita por Rozângela quanto à Resolução 001/99 do Conselho Federal de Psicologia: “O Conselho Federal de Psicologia tem a obrigação de reprimir esse comportamento, principalmente no que concerne ao tratamento de homossexuais em consultórios de psicologia, como se fossem doentes sujeitos a transtornos”.

Toni Reis

Presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT)

VEJA marcou um gol de placa entrevistando a psicóloga Rozângela Alves Justino (Amarelas, 12 de agosto). Essa entrevista entra para a história do bom jornalismo. A voz que faltava foi ouvida: a psicóloga punida pelo Conselho Federal de Psicologia por atender os homossexuais que a procuram. A jornalista Juliana Linhares foi incisiva nas perguntas que fez, e as respostas da psicóloga foram diretas e muito reveladoras. Parabéns pelo fino senso jornalístico da revista, ao perceber o anseio dos leitores por ouvir essa voz. Parabéns à psicóloga por arriscar sua carreira afirmando que continuará fazendo o que em consciência julga seu dever profissional fazer.

Luiz Roberto de Barros

Santos São Paulo, SP

A 43ª Assembleia-Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1990, retirou a homossexualidade da sua lista de doenças ou transtornos mentais, suprimindo-a do Código Internacional de Doenças (CID-10) a partir de 1993. A OMS diz explicitamente: “A orientação sexual por si não é vista como transtorno”. Em consonância com essa perspectiva, o CFP, responsável pela regulamentação profissional dos psicólogos no Brasil, publicou em 1999 resolução que proíbe o tratamento da homossexualidade como doença e, portanto, a oferta de cura a algo que não é uma enfermidade. O conselho, dentro de suas atribuições, atua para que o desenvolvimento da psicologia no Brasil esteja alinhado com as necessidades de uma sociedade democrática, inclusiva e respeitadora da diversidade.

Humberto Verona

Presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP) Brasília, DF

Parabéns, VEJA, por publicar uma entrevista tão oportuna com a psicóloga Rozângela Alves Justino. Sou médico pediatra há mais de quarenta anos e sempre considerei o homossexualismo um distúrbio do comportamento, e acho que, como tal, ele deve ser tratado. Quando uma mãe se queixa de que seu filho está com essa tendência, aconselho-a a procurar um psicólogo ou psiquiatra para que ela seja demovida. A “homofobia”, tão falada hoje, nada mais é do que um sentimento natural daqueles que respeitam as leis de Deus e da natureza.

Silas Leite Prado

Médico pediatra Belo Horizonte, MG

Apoio todas as afirmações da psicóloga Rozângela Alves Justino e seu trabalho na reabilitação de homossexuais. Até a 9ª Revisão da CID, realizada em 1975, esse comportamento era classificado como perversão sexual. Em 1985, foi classificado como distúrbio social, e na 10ª REV CID, de 1995, não foi mais considerado perversão. Antigamente, a homossexualidade era transgressão penal (Oscar Wilde foi preso por isso), depois passou a ser perversão sexual. Hoje é obrigação sexual. Atualmente, pervertidos somos nós, os heterossexuais (!).

Victor Leonardo da Silva Chaves

Médico Rio de Janeiro, RJ

Mesmo sendo heterossexual, gostaria de expressar minha indignação no que diz respeito à entrevista que a psicóloga Rozângela Alves Justino concedeu a VEJA. Suas respostas corroboram a tese de que, de tanto ouvirem possíveis vulnerabilidades alheias, esses profissionais acabam entrando em parafuso e, em vez de ajudar, colocam mais “minhocas” na cabeça dos pacientes. Ponto para o Conselho Federal de Psicologia.

Ricardo Granatowicz

São Paulo, SP

Perplexo, triste, em choque. Foi assim que me senti ao ler a entrevista. Como, em plena era do Twitter, ainda é possível existir uma profissional que exerce sua profissão dessa forma? Não seria mais uma charlatã criando uma fórmula para encher seus cofres? Veio-me à cabeça o dia em que concedi entrevista a este mesmo veículo, e quando, com a mesma jornalista Juliana Linhares, decidi abrir o meu coração e falar da minha vida. Sofrimentos, preconceitos que um gay sofre em nossa sociedade desde criança. Pensei: o que será que mudou? Lembrei-me das centenas de cartas que recebi de mães de filhos gays dizendo que com a minha história passaram a enxergar o coração de seus filhos de outra forma. Vivemos em uma sociedade com formatos predeterminados desde o nosso nascimento. Mudar isso e fazer com que sejamos respeitados é muito difícil. Estamos vencendo barreiras e mostrando que somos iguais. Na condição de gay e descendente direto do povo judeu, senti-me desrespeitado em diversas áreas. Considero que essa senhora mereceria as punições mais severas possíveis por não saber fazer uso da palavra como psicóloga e por estar pregando um retrocesso em nossa sociedade.

Bruno Chateaubriand

Rio de Janeiro, RJ

FONTE: DST-AIDS – Assessoria de Comunicação

Publicado na Revista Veja