Você tem que esconder seu verdadeiro eu para ser aceito?

agosto 29, 2009

Essas imagens são da campanha contra a discriminação, criada pela agência holandesa imagine’.  Mostra um pouco da angústia vivida pelos nossos conhecidos lés, gays, bi, e ainda mais pelos queridos trans e travestis, por não poderem ser quem realmente são, por terem que esconder seu verdadeiro eu.

Logo que soube do meu filho me coloquei no lugar dele, na tentativa de imaginar pelo que ele deve ter passado e ainda passa. O papel dos pais é decisivo, e podemos ler mais sobre isso nesse artigo aqui, escrito pelo filósofo Paulo Ghirardelli Jr., perto do dia dos pais, comemorado nesse mês. Mas não é fácil ser pai e mãe de um filho diferente. Não é mesmo.

A aceitação para alguns é mais fácil, mas para a maioria é sofrida e leva tempo. E sabe o porquê? Porque nenhum pai ou mãe foi preparado para ter/educar um filho ou uma filha homossexual. Isso é muito bem lembrado pelo Ghirardelli nesse texto, uma vez que os pais imaginam os filhos como uma extensão de si próprios. Quando a mulher engravida, ou antes até, os sonhos já começam junto com as idealizações do futuro desse filho. Se for homem, será o “pegador”, terá uma carreria maravilhosa, casará depois de viver uma plena juventude do macho ideal. Se for menina, será educada para ser boazinha, super feminina, casar bem (bem = marido rico), gerar filhos e educa-los da mesma forma que a mamãe fez. Tudo igualzinho, sem sair dos padrões. E então, se o filho que cresceu é diferente disso, começa o sofrimento de ambos os lados.

Inicia-se um aprendizado. Os pais tem que olhar para um outro filho, e entenderem que é uma vida em separado, que não tem total poder sobre esses novos seres. A idealização do que seria o futuro desse filho terá que ser repensada e reaprendida. É um longo caminho a ser percorrido. Filhos, tenham paciência com seus pais, pois talvez eles sejam como os pais do texto do Ghirardelli, pais que imaginaram vocês sendo a extensão deles, e mais ainda,  sendo tudo o que eles não conseguiram ser. Se fosse possível prever, pais assim jamais deveriam ter se tornado pais.

Em seu texto, o autor nos diz que “a pessoa que quer ser pai deveria, antes de ter filhos, olhar para o espelho e falar: não sou deus, portanto, o que vier como filho, não poderá ser alterado por mim, e terei de não só aceitar, mas amar.” Nossa sociedade está doente e um dos causadores dessa doença é o altruísmo dos pais, do “eu sou” e “meu filho é”, e quando esse pai não pode falar o que o filho é, a doença se agrava, podendo ser fatal. O preconceito vem disso, do desconhecimento, da impaciência e da intolerância com o que é diferente do que para eles seria o ideal.Não querer pensar, não querer aprender.

Vocês são guerreiros, são heróis, são seres evoluídos, vão ensinar eles a repensar e a reaprender. Mas tenham paciência, e procurem ajudar. Eles precisam de vocês. Mas não angustie se não for bem sucedido nessa tarefa. Se você tentou e não resultou em nada, não se preocupe porque não é só sua essa responsabilidade. Eles perderam esse filho. Eles não merecem esse filho.

Beijos da mommy.

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