Como contar para a família

outubro 21, 2009

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Meus queridos, pensando sempre em poder ajuda-los, resolvi falar um pouco sobre como contar para a família, falando um pouco da minha experiência. Então vocês tentam traçar perfis com as suas vidas. Mas sempre tenham em mente que cada família é de um jeito, e que você precisa conhecer bem a sua e conseguir aliados para esse processo da aceitação de todos os que te rodeiam e que são importantes para a sua vida.

Primeiro meus amores, não existem regras ou algum passo-a-passo, mas posso dizer que em primeiro lugar, você precisa estar tranquilo com relação à sua sexualidade, se sentindo seguro (a), orgulhoso (a). Este sem dúvida podemos chamar de um primeiro passo. Porque pense comigo: você pensa em contar para os seus pais, ou já contou, mas não consegue falar sobre a sua sexualidade, não sabe acalmar seus pais com palavras que ajudem-nos a entender o que se passa com você, não tem paciência com eles, etc. A pressão psicológica dos pais é enorme e você precisa estar preparado (a).

Comigo não foi fácil. Quando meu filho me contou, sofri muito, chorei muito, pensando até que ele poderia morrer (vejam que loucura!) e assim a família não ficaria sabendo. A família. Isso é um fator muito relevante. A primeira coisa que pensei foi na minha mãe sabendo, meu pai, meu sogro, minha sogra (aff!), e querem saber mesmo, nenhum deles ainda sabe. Pois é, estou eu aqui, tentando ser a mais resolvida das criaturas, mas amores, saibam de uma coisa, para os pais não – é – fácil! Até hoje meu marido não fala sobre o assunto com o filho. Eles brincam, fazem piadinhas um com o outro, meu marido até aceitou que o primeiro namorado frequentasse nossa casa, mas tudo devagar, com passos de tartaruga. Eu até hoje não consegui contar nem para a minha irmã (e olha que nos damos super bem!). Por isso damos um passo de cada vez.

Na cabeça dos pais passa um milhão de coisas, sentimentos misturados, medos, angustias… Eu bombardeava meu filho com milhões de perguntas, mas como sempre tivemos uma relação tranquila, foi dessa forma que ele foi me dando as respostas e me ajudando a entender a sua diferença. Uma coisa que falei pra ele foi, mas filho, se você nunca ficou com meninas (isso mesmo, ele nunca sequer beijou uma menina) como sabe que não gosta? Foi quando ele me respondeu mas mãe, você já beijou mulher para saber que não gosta? Caiu minha cara no chão com essa, e com outras que ele me dizia, como por exemplo filho você não tem curiosidade de saber o porquê da sua homossexualidade, e ele me responde tá mãe posso até saber que foi na gestação, com uma falha genética, que foi minha convivência com as muitas mulheres da família e por ter um pai ausente, ou foi porque eu brincava quando criança com a bonecas da minha irmã e não ia ao clube com o pai falar palavrão, mas mãe, não vai mudar nada eu saber, pois não vou deixar de ser. Com muita paciência ele me respondia e dizia não para as minhas tentativas de faze-lo ficar com mulheres.

Aprendi com a Edith Modesto no GPH que nenhum pai ou mãe é educado para ter um filho gay, lés, bi ou trans. Idealizar um futuro formidável para o filho, imagina-lo como um ser humano realizado, é coisa que todo pai e toda mãe faz. E ah! nenhuma mulher quando está grávida acaricia sua barriga e diz ah tomara que seja um gayzinho! Não é verdade?! Então o caminho a se percorrer é longo para a aceitação e convivência com a diferença que vocês apresentam. É longo, mas tem um final feliz. Invista no processo de aceitação da sua família, comece por um dos membros, alguém bem próximo e que te dê abertura para conversar. Comece contando para seu irmão/irmã, para um tio, primo. Se o relacionamento com seus pais for difícil, quem sabe poderá contar com a ajuda dessa pessoa. Meu filho foi deixando pistas pelo orkut e a irmã viu, então antes de ele me contar eu já sabia que ele havia ficado com dois meninos porque  minha filha contou.

Então, primeiro pense na sua auto-aceitação, pense se você já está tranquilo com a sua sexualidade. Depois veja se já consegue contar para os seus amigos. Então já pode sondar um parente próximo em quem confie. E aos poucos, queridos, vocês vão vendo que as coisas vão acontecendo.

Ainda essa semana pretendo escrever mais sobre isso. E deixo aqui uma dica de filme, para quem não conhece: C.R.A.Z.Y., loucos de amor. Vejam as fotos do filme no meu orkut, me procurem lá: Intrépida Mãe. E a história é bem bacana para ver essa questão da aceitação familiar. Recomendo!

Um beijo carinhos da mamis.

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12 Responses to “Como contar para a família”

  1. Marcelo Dalcom Says:

    Adorei… fantástico

  2. Igor Says:

    Você sempre maravilhosa, querida. Conhecer pessoas como você e como minha mãe, me dá cada vez mais força.
    Parabéns, você é fenomenal.

    • intrepidamae Says:

      Obrigada meu amado, vamos caminhando juntos e sempre nos apoiando. Se você quiser, te ajudo com as notícias do Dig e os trabalhos que vocês fazem nas escolas, divulgando aqui.
      Beijoca.

  3. Thales Capitani Says:

    .

    Eis que volta a boa mãe!
    É totalmente compreensível tal medo dos pais, mas ter um porto em seguro é de extrema importãncia numa sociedade onde você é discriminado por ser baixo demais, negro demais, pobre demais ou simplismente por amar alguém do mesmo sexo!
    C.R.A.Z.Y. eu assisti, é muito interessante, mas confesso que axchei o modo como eles levam essa problématica ficou mto ambígua, mesmo assim interessante, o irmão mais velho e a relação conturbada com os pais ainda é mais amena pelo fato dele ser extremamente machão.. há várias leituras possiveis do filme né?
    Falando em leitura, venho lê-la sempre!
    beijos

    • intrepidamae Says:

      Oi querido!
      Sem dúvida o fato do meu filho ter na sua família um porto seguro o ajuda e muito a enfrentar os problemas fora de casa. Mas como eu disse, aos poucos tudo se ajeita.
      E o filme eu adoro! Permite várias leituras mesmo, mas o final, quando o Zac e o pai se abraçam e a união dos dois no final, passeando juntos é maravilhoso, depois de tudo o que passaram.
      Conto sempre com você e obrigada por me chamar de volta, pois no mesmo dia me inspirei para escrever.
      Um beijo grande!

  4. marise Says:

    Lindo! Lindo e Lindo, sou sua fã… bjs marise

    • intrepidamae Says:

      Você acompanhou minha trajetória desde o início, quando naquela noite de sexta-feira nos falamos por telefone e combinamos de nos conhecer. Nunca vou esquecer suas palavras. E você é uma das responsáveis pelo meu crescimento.
      Um beijo, minha guru.

  5. Foxx Says:

    uau!
    belo trabalho nesse blog
    parabéns!


  6. Olha,adorei o que vsê postou ai,e estou mais forte um pouco pra me revelar,sei que é dificil,mais vou enfrentar essa barra em casa,logo logo.


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