HOMO, BI, HETERO – ASSIM É A HUMANIDADE

dezembro 1, 2009

Agradeço ao Toni Reis pelo envio desse artigo e compartilho com vocês, com todo o carinho que transborda do coração das mães, pais, aliados e pessoas sensíveis à causa LGBT, como a Amparo Caridade. Não a conheço ainda, mas fiquei emocionada com o artigo. Vejam abaixo.

———

Pessoal   quero compartilhar  um artigo da querida Aliada Amparo Caridade , Psicóloga. Psicoterapeuta, Mestra em Antropologia. Professora Adjunta da Universidade Católica de PE – Unicap.  Membro do Conselho Editorial da Revista da SBRASH – Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.

Amparo muito  obrigado por sair a campo em nossa defesa, um exemplo para academia.

Infelizmente estamos sendo atacados pelos fundamentalistas religiosos (vide PLC 122) e são poucos os que nos defendem com tanta firmeza.

Precisamos  mais de intelectuais orgânicos como você.

Obrigado  em  nome  da  ABGLT.

Toni  Reis

HOMO, BI, HETERO – ASSIM É A HUMANIDADE.

Amparo Caridade *

Professora da UNICAP

Assim estamos na humanidade desde os primórdios. Não houve um tempo em que isso foi diferente. Entre primitivos e civilizados, intelectuais ou iletrados a pulsão humana para o amor sempre se manifestou numa dessas direções. Não se trata de um mal da nossa época, de uma falta de vergonha, pouca moral ou coisa semelhante. É a nossa humanidade, essa que atravessa nosso ser. É ela que é homo, bi ou heterossexual. Somos sim capazes de viver a sexualidade nessa diversidade de orientações. Isso é encontrado em todos os povos, raças, lugares de todos os tempos. Entre nossos índios como entre povos civilizados houve sempre interesses e vivências homo, bi ou heterossexuais. Grandes personagens da história foram homossexuais e sua forma de viver a sexualidade não os impediu de deixarem brilhantes contribuições nos mais variados campos do saber.

É desumano, cravar o punhal ou crítica ferina em pessoas que agem diferente de nós. Talvez devamos suspeitar de nossos saberes absolutos que se arvoram a discriminações. Saberes totalitários, diria, sobre o que é certo, errado, pecaminoso ou virtuoso. Saberes que não somam; dividem muito. Em nome desses saberes, idéias maquiadas de verdade, firmam-se preconceitos, intolerâncias, fundamentalismos, racismos, homofobias. Em nome de saberes assim absolutos se abriram campos de concentração que hoje envergonham a humanidade. O fanatismo atrai todos os raios e leva aos caminhos da perdição, disse bem o Jornalista do DP, José Adalberto Ribeiro

Os depreciadores da vida são muitos e curiosamente são eles que dizem como deve ser o mundo. O mundo não é mau; nossa desumanidade sim. Quando somos incapazes de amar a vida ficamos de mau humor e aí nos desumanizamos. Perdemos a capacidade de tolerar e apreciar a diversidade. Rejeitamos os que agem diferente de nós sem a busca de uma compreensão do que é mesmo o que se recusa. Recuperar a inocência do olhar será necessário à humildade e bem estar diante da realidade. Não é o tempo ou uma época que é má. Talvez o mal estar esteja na forma como somos e estamos no mundo. Cuidar do modo como estamos na vida é fundamental para que possamos estar bem no mundo tão diverso que nos cerca. Em nome de que, seríamos seus avaliadores?

Ser homo, bi ou hetero é a orientação sexual de cada pessoa. Não é uma escolha. Se o fosse, quem escolheria uma via que ainda é cheia de rejeições e preconceitos e que causa tanto sofrimento? O preconceito parece nos impedir de avaliar, como é feio e indigno, certos casais que em sagrados matrimônios se maltratam, desrespeitam, impõem vontades humilhantes ao eu do outro. Há muitos homossexuais que do alto de sua ética, competência, dignidade, responsabilidade humana e social fariam corar de vergonha certos preceituadores de virtudes autoritárias.

É em nome das intolerâncias que se fazem necessárias certas leis. Quando a humanidade falha em nós, a lei nos vigia e nos acode para que não percamos a cabeça contra nosso semelhante – e faz-se a lei. Foi aprovado o Projeto de Lei número 122, da Câmara, que criminaliza a discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. Benvinda a lei. Quem sabe ela nos ajuda a ver que o outro vale pelo que é como pessoa, como sujeito em seu existir.

*Amparo Caridade – Psicóloga. Psicoterapeuta, Mestra em Antropologia. Professora Adjunta da Universidade Católica de PE – Unicap. Livro publicado: Sexualidade – Corpo e Metáfora. Editora Iglu, 1997. Diversos artigos publicados em revistas brasileiras. Membro do Conselho Editorial da Revista da SBRASH – Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.

Texto publicado no Diário de Pernambuco, em 18/11/2009.

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3 Responses to “HOMO, BI, HETERO – ASSIM É A HUMANIDADE”


  1. .

    É bom ver uma antropóloga sensível e atuante no campo LGBT, eu como futuro antropologo sinto desde já como a academia é fechada e retrógrada em temas como sexualidade e gênero.
    Fico contente mesmo em ler este artigo da Profª Amapro, num meio onde o discurso patologizante da biomedicina ajuda a segregar e excluir os homossexuais.

  2. TININ Says:

    Maravilhosa ela!
    Creio que um dia, a preferencia sexual de cada um, sera tratada com total naturalidade e aceitação…
    Neste dia, com certeza, o mundo estará muito melhor e mais humano, mais feliz!
    Beijo
    T I N I N
    *Parabens pelo Blog, gostei de verdade.


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