Meus amores,

Em nome das mulheres e dos meus vários amigos homossexuais, recorro ao email para propor à vocês uma reflexão.

Vejam abaixo a carta da presidência da ABGLT (Associação Brasileira de Bissexuais, Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais), Sr. Toni Reis, gay, que conheço pessoalmente, e que vive há 20 anos com seu companheiro, o americano David. Um rápido parênteses: há poucos meses eles conquistaram o direito de adotar uma criança, depois de anos de luta na justiça. É grande a probabilidade de que essa criança tenha nascido de uma gravidez indesejada, fruto da falta de consciência e educação de grande parte dos casais heterossexuais brasileiros.

Excelente pessoa, o Toni promove dia-a-dia dedicação e respeito à todos, através de ações, com sua influência política. Esse email enviado aos presidenciáveis, foi de tamanha importância para a sociedade em geral, para tentar despertar nos candidatos o verdadeiro papel que lhes cabe. A política é a arte de governar pessoas. Pessoas diversas, diferentes, com ideais diferentes, com sonhos diversos, e que não deveriam ser usados como metas infundadas das vergonhosas campanhas políticas que estamos presenciando. A palavra “partido” tem origem no latim (pars, partis) e significa rachado, dividido, desunido. Não tem como dar certo algo que começa com a desunião. Diante disso cumprirei meu direito de cidadã, que me obriga a anular meu voto.

A sociedade não muda sozinha, mas à partir de atitudes de pessoas como o Toni, que lutam pela igualdade entre as pessoas, considerando as inúmeras diferenças que possam existir entre elas. Cor de pele, gênero, sexualidade, direito sobre o próprio corpo são características dos seres humanos, e exemplos de motivos para alguns se acharem mais corretos, ou mais honestos que outros.

Tenho esperança. Sonho, como ele, com um mundo melhor para vivermos, sem violência, sem diferenças, sem depressão, que boa parte brotam da falta de educação para a cidadania, da perpetuação da ignorância, da proliferação do ódio. Ódio esse que, me desculpem, é promovido pelo partidarismo político e pelo fundamentalismo religioso. O Brasil é um estado laico, secular, isto é, estado no qual a religião não interfere. Ou não deveria.

Procurem refletir sobre isso: dominando o sexo das pessoas, aqui falamos de mulheres e homossexuais, o estado machista domina as famílias. As mulheres são as rainhas dos lares, e se assinam embaixo do que falam os políticos e religiosos fundamentalistas, incitam o ódio dentro dos seus próprios lares, fazendo brotar nos corações de seus maridos, filhos e filhas a discriminação às mulheres, o tabu do sexo e a repressão à sexualidade. E pior ainda será se essa sexualidade for diferente da heteronormatividade vigente.

Amo todos vocês como são. Sou mãe. E convido a fazerem sua parte: sejam o exemplo de amor e tolerância aos que te rodeiam.

E, finalmente, vocês sabem sobre a origem da palavra ‘entusiasmo’? Entusiasmo, vem do grego en + theos, literalmente ‘em Deus’. O Deus que está em todos nós, na nossa alma, que nos permite a vida e nos chama ao amor.

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 Carta aberta da ABGLT as candidaturas presidenciais  de  Dilma Roussef e José Serra

Prezada  Dilma e Prezado Serra,

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT, é uma entidade que congrega 237 organizações da sociedade civil em todos Estados do Brasil. Tem como missão a promoção da cidadania e defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero.

Assim sendo, nos dirigimos a ambas as candidaturas à Presidência da República para pedir respeito: respeito à democracia, respeito à cidadania de todos e de todas, respeito à diversidade sexual, respeito à pluralidade cultural e religiosa.

Respeito aos direitos humanos e, principalmente, respeito à laicidade do Estado, à separação entre religião e esfera pública, e à garantia da divisão dos Poderes, de tal modo que o Executivo não interfira no Legislativo ou Judiciário, e vice-versa, conforme estabelece o artigo 2º da Constituição Federal:  “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”

Nos últimos dias, temos assistido, perplexos, à instrumentalização de sentimentos religiosos e concepções moralistas na disputa eleitoral.

Não é aceitável que o preconceito, o machismo e a homofobia sejam estimulados por discursos de alguns grupos fundamentalistas e ganhem espaço privilegiado em plena campanha presidencial.

O Estado brasileiro é laico. O avanço da democracia brasileira é que tem nos permitido pautar, nos últimos anos, os direitos civis dos homossexuais e combater a homofobia. Também tem nos permitido realizar a promoção da autonomia das mulheres e combater o machismo, entre os demais avanços alcançados. O progresso não pode parar.

Por isso, causa extrema preocupação constatar a tentativa de utilização da fé de milhões de brasileiros e brasileiras para influir no resultado das eleições presidenciais que vivenciamos. Nos últimos dias, ficou clara a inescrupulosa disposição de determinados grupos conservadores da sociedade a disseminar o ódio na política em nome de supostos valores religiosos. Não podemos aceitar esta tentativa de utilização do medo como orientador de nossos processos políticos. Não podemos aceitar que nosso processo eleitoral seja confundido com uma escolha de posicionamentos religiosos de candidatos e eleitores. Não podemos aceitar que estimulem o ódio entre nosso povo.

O que o movimento LGBT e o movimento de mulheres defendem é apenas e tão somente o respeito à democracia, aos direitos civis, à autonomia individual. Queremos ter o direito à igualdade proclamada pela Constituição Federal, queremos ter nossos direitos civis, queremos o reconhecimento dos nossos direitos humanos. Nossa pauta passa, portanto, entre outras questões, pelo imediato reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo e pela criminalização da discriminação e da violência homofóbica.

Cara Dilma e  Caro Serra

Por favor, voltem a conduzir o debate para o campo das ideias e do confronto programático, sem ataques pessoais, sem alimentar intrigas e boatos.

Nós da ABGLT sabemos que o núcleo das diferenças entre vocês (e entre PT e PSDB) não está na defesa dos direitos da população LGBT ou na visão de que o aborto é um problema de saúde pública.

Candidato Serra: o senhor, como ministro da saúde, implantou uma política progressista de combate à epidemia do HIV/Aids e normatizou o aborto legal no SUS. Aquele governo federal que o senhor integrou também elaborou os Programas Nacionais de Direitos Humanos I e II, que já contemplavam questões dos direitos humanos das pessoas LGBT. Como prefeito e governador, o senhor criou as Coordenadorias da Diversidade Sexual, esteve na Parada LGBT de São Paulo e apoiou diversas iniciativas em favor da população LGBT.

Candidata Dilma: a senhora ajudou a coordenar o governo que mais fez pela população LGBT, que criou o programa Brasil sem Homofobia, e o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com diversas ações. A senhora assinou, junto com o presidente Lula, o decreto de Convocação da I Conferência LGBT do mundo. A senhora já disse, inúmeras vezes, que o aborto é uma questão de saúde pública e não uma questão de polícia.

Portanto, candidatos, não maculem suas biografias e trajetórias. Não neguem seu passado de luta contra o obscurantismo.

A ABGLT acredita na democracia, e num país onde caibam todos seus 190 milhões de habitantes e não apenas a parcela que quer impor suas ideias baseadas numa única visão de mundo. Vivemos num país da diversidade e da pluralidade.

É hora de retomar o debate de propostas para políticas de governo e de Estado, que possam contribuir para o avanço da nação brasileira, incluindo a segurança pública, a educação, a saúde, a cultura, o emprego, a distribuição de renda, a economia, o acesso a políticas públicas para todos e todas!

Eleições 2010, segundo turno.

15 de outubro de 2010.

ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

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Com carinho de mãe.

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Desde que meu filho me contou sobre a sua sexualidade eu senti que deveria ajuda-lo, logo percebi que seria mais uma enorme escada com seus muitos degraus para subirmos juntos, eu, meu marido e nosso filho. Comecei a ler, me informar, entrei para um grupo de pais de São Paulo, o GPH, e aprendi muito, participando da troca de emails entre mães de vários lugares do Brasil. Entrei nesse grupo porque precisava de ferramentas e apoio para poder ajudar meu marido. Foi por isso que entrei, comecei a participar e logo percebi que eu em pouco mais de um mês já estava num processo de aceitação bastante adiantado. No grupo haviam mães participando há 1, 2 ou mais anos e que conseguiam reviver o sofrimento da descoberta da sexualidade dos filhos dessa forma ajudando outras mães. Mas eu não conseguia fazer isso, e sofria. Vejam bem, eu me sentia mal por não poder ajudar aquelas mães, porque eu não sofri por ter um filho gay e por isso não sabia como ajudar.

Me falaram lá no grupo que eu tinha perfil militante. Estranhei e confesso que não me sinto uma ativista, porque não busco entender de leis, não estudo, embora eu apoie no que posso, mas não levanto bandeira. Na verdade, estou em processo para acertar o meu caminho na luta pela aceitação dos diferentes jeitos de amar, sem rotular. Minha luta é pela busca do respeito da individualidade. Se não faz mal a ninguém, então por que não pode existir? É nisso que acredito e é pelo caminho do amor que quero abrir portas e ver as pessoas felizes.

Meu filho entrou no quarto, numa noite de quinta-feira no final do mês de maio de 2008, como eu já contei aqui também, dizendo assim: mãe, preciso te contar uma coisa; eu fiquei com um menino, e a gente está namorando. Eu não queria ouvir, dei as costas pra ele na cama, falei do que adianta a terapia que você está fazendo? Ele me respondeu coisas confusas, dizendo que foi pela criação perto das mulheres da família, pela ausência do pai, que não queria saber de ficar com mulheres, etc. Confesso que no começo pouco sofri porque ele soube me ajudar a entender sobre a sua sexualidade.

Depois de 20 dias eu contei para o meu marido e caí no fundo do poço junto com ele, choramos, ele se culpava, eu o ajudava a entender. Fiquei o mês de julho praticamente inteiro sem trabalhar, chorando no trabalho, entrei para o grupo de pais buscando ajuda e lia tudo o que me mandavam. Fui me tornando forte e logo mais ajudava do que recebia ajuda no GPH. Ficava ausente por alguns períodos e depois de alguns meses me desliguei do grupo. Nesse meio tempo o namoro do meu filho foi acontecendo e o menino frequentava nossa casa. Chegava até a conversar com meu marido na sala e se sentia muito bem aqui, acolhido e amado, pois não tinha apoio em casa. As coisas iam caminhando.

Ele saiu numa noite de domingo da nossa casa e quando chegou em casa me escreveu um depoimento no orkut que guardei:

“Lxxx! Você não tem a idéia de quanto eu sou feliz e realizado por você ter aceitado, ou estar tentando aceitar o Gxxx. No dia em que saí da sua casa, fui embora pensando e imaginando como seria mais fácil pra mim, se tivesse uma mãe que apoiasse a minha situação também. Mesmo assim, entendo, e sei que não deve ser fácil pra ela também.
Minha família “esqueceu” ou pelo menos tentam esquecer isso, não se interessam, e nem demonstram vontade de me ajudar com isso. Não é confortável escutar que você é um desgosto todos os dias, e que desejavam outra história para um filho. Dizem que aceitam, mas ao mesmo tempo, não querem saber de problemas relacionados a isso.
Não sei se a mãe está preparada para ouvir alguém, eu ainda não sei qual seria a reação dela. Obrigado de coração por tudo o que você está fazendo. Pode ter certeza também que você, a Gxxx e o Gxxx são muito especiais na minha vida. 😀 fico muito emocionado em saber que existem pessoas assim, ainda mais sendo próximos.
beijos, Vxxx.”

Leio e releio e me emociono sempre!
Fiquem bem e me escrevam se precisarem.

Muitos beijos da mamis.

Como contar para minha mãe

outubro 27, 2009

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“Você tem que me amar! Você tem que me amar!”

“Mãe Sempre Sabe? Mitos e Verdades sobre Pais e seus Filhos Homossexuais” é o nome de um livro da Edith Modesto, a primeira mãe a me ajudar com a aceitação da sexualidade do meu filho, e não é a toa. Sempre fica aquela dúvida, será que minha mãe desconfia, pois ela é tão próxima a mim? Ou será que se eu deixar pistas, quem sabe um bilhete da minha namorada, que ela pensa ser minha melhor amiga, então ela logo vai ler e poderemos conversar? Como ela irá reagir? O que será que vai me falar?

Amados, a única coisa que eu posso dizer a vocês com certeza é que não existem certezas, padrões, que nem toda a mãe sabe, que tem mãe que nem ao menos desconfia, tem mãe que quando sabe o mundo dela desaba, entra em depressão, poderá ficar sem falar com você, poderá te agredir física ou verbalmente (muitas palavras doem mais que tapas), poderá te expulsar de casa. Ou quem sabe ela poderá querer te ouvir e nessa hora você deverá estar preparado para ser um pouco mãe ou pai da sua mãe, para poder acalma-la dizendo coisas que você bem sabe sobre a sua sexualidade. Vamos relembrar?

– quem é LGBT (lésbica, gay, bissexual ou transexual) nasceu com essa condição, portanto é natural;

– ninguém obriga ninguém a ser homo, bi e nem ao menos travesti ou transexual, não existe uma motivação externa para definir a sexualidade, portanto é espontâneo;

– nunca nos pergutaram durante nossa educação, na escola, na catequese, entre amigos, se eu queria ser hetero ou homossexual, portanto não é opção sexual, mas é a sua orientação sexual;

– o seu jeito de amar não interfere no seu caráter, portanto ser LGBT não é sinônimo de ausência de valores;

– que existe o gradiente da sexualidade, que você vai saber melhor em livros ou comunidades especializadas no orkut, e que bem explicam o porquê de existirem as pessoas LGBT, e não somente homossexuais; e isto quer dizer que você poderá ser bem afeminado, muito masculinizada, talvez irá querer se relacionar com meninos bem masculinos como você, ou com meninas de cabelo curtinho e nada de batom embora você adore a cor rosa e umas plumas, assim como aquele seu amigo gay ator de teatro, ou a sua amiga traveca que é um verdadeiro luxo!

Lembre que o gay estereotipado está na mídia para complicar a vida da gente e dificultar em muito as coisas. Os preconceitos sociais e as cobranças sociais virão a galope rondar os pensamentos da sua mãe como e agora? Meu filho vai virar uma bicha louca! Minha filhinha linda vai parar de usar roupas femininas! Onde foi que eu errei?

Talvez ela se culpe, talvez ela culpe seu pai. Poderá dizer que foi culpa dos seus amigos, essa péssima turma com quem você anda!  Ela poderá achar que você está fazendo isso para chamar a atenção, para atrapalhar a vida dela. Nessa hora é que você deve pensar estou preparado? Estou com confiança em mim mesmo, já me aceito como lésbica? Quem sabe enquanto sua mãe se afasta, o que geralmente acontece, pois vemos vocês como estranhos (eu tive que me acostumar com um novo filho que nascia!), você se prepara para conversas de entendimento que poderão vir, ou que ao menos te fortalecerão para encarar todas as saídas do armário da sua jornada. Tenha paciência com a sua mãe, aprendendo a conversar com ela. Vocês precisam um do outro.

Estive pensando sobre como devemos nos sentir orgulhosos com as mudanças que fizemos ocorrer nas dinâmicas das nossas famílias. Eu fui mãe aos 14 anos. Minha mãe também perguntou onde foi que eu errei? E hoje eu vejo que ela errou quando não me deu atenção, quando esqueceu que ao colocar uma filha no mundo a fez se tornar uma pessoa responsável por outra pessoa. Ela teve que repensar muuuita coisa na sua própria vida quando eu contei que estava grávida: repensar o casamento com meu pai, repensar a educação dos meus irmãos mais novos, repensar como me educaria dali para frente. Sem dúvida fiz dela uma pessoa melhor.

“Não compro afeto.” Essa foi uma frase do Evando Santo (Christian Pior), que vi num dos seus posts (tá bom, a maioria é gozação, mas nesse ele falava muito sério) do blog Ovulando. No texto ele dizia, nas entrelinhas, para sua família algo como agora que estou famoso vocês me procuram, mas podem esquecer, porque não pago por afeto. Cito isso para você pensar nas perdas que ocorrem quando assumir sua sexualidade. Não é nada fácil. Essa perda de quem se ama pode começar dentro da sua própria casa, com quem mais teria que te apoiar nesse mundo, pois foi quem te colocou no mundo e teoricamente seria responsável por você, ou pelo menos para amar você incondicionalmente.

Me lembrei agora da Marise, a segunda mãe a me ajudar mas que é a primeira no meu coração, repetindo em umas das nossas reuniões de mães de homossexuais que os filhos só sabem dizer “você tem que amar, você tem que amar”, como o Baby Sauro da TV, que saiu berrando assim que quebrou a casca do ovo “você tem que me amar!” E os pais não conseguem sentir isso plenamente, por diversos fatores, que só quem é pai ou mãe entende o que estou dizendo. O que podemos fazer, que foi o que eu fiz e conheço muitas outras mães que fizeram, é reaprender a amar vocês diante desse novo referencial de filho que se apresenta. Temos que conhecer sobre a sexualidade, mais do que já sabemos, ou tudo o que ainda não sabemos que é o caso da maioria das mães de LGBT.

Finalmente querido, você pode pensar em adotar uma nova mãe, ou uma mãe substituta, para essa fase de afastamento que você pode estar passando, que já passou mas que ainda precisa de um colo, ou que ainda irá passar. E a sua mãe vai te acolher novamente, tenho certeza disso. Mas se na pior das hipóteses não acontecer, como na família do Evandro Santo, não se preocupe, não é culpa sua e tem mãe que merece mesmo perder o(a) filho(a). Concorda?

Um beijo carinhoso.

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Demorei, mas agora sim vou contar sobre a minha aventura na primeira vez, que a gente nunca esquece, que participei de uma Parada da Diversidade.

No início do meu processo de aceitação da homo do meu filho, eu ouvia comentários diversos sobre a sexualidade humana, sobre gays, lésbicas, trans, sobre preconceito, sobre aceitação e sobre as “paradas gay”. Sobre as paradas eu acabei por ter uma imagem “ruim” pelas opiniões que ouvia, até mesmo falando para amigas que isso era tudo bagunça, que era ruim para a luta contra o preconceito pois as pessoas não se sensibilizariam vendo essa bagunça toda, que eu não apoiava, enfim, eu pensava com a cabeça dos outros.

Quando me aproximei do Dignidade, pois queria de alguma forma ajudar o movimento LGBT, conheci pessoas maravilhosas, sofridas, batalhadoras, que nem papel higiênico por vezes tem na sede, pois os recursos são bastante escassos. Pessoas que doam seu tempo pela conquista dos direitos de uma massa gigante de brasileiros, cidadãos marginalizados. Acolhem quem sofre violência, ajudam com apoio jurídico, ouvem para amenizar a pressão psicológica, oferem assistência social, organizam a Parada da Diversidade, se unem em Fórum para buscar a diminuição da violência e criminalização da homofobia, e além disso são homens e mulheres com suas dores, agústias, vida social,  empregos, ideais, alegrias e com um brilho nos olhos que é o amor que transborda dos seus corações. Me sinto honrada por estar próxima deles.

Eu tinha o sonho inicial de ajudar os jovens, pela internet, escrevendo pra eles, para ajuda-los com a auto-aceitação e com a aceitação familiar. Não sabia direito por onde começar, mas sabia que precisava começar. O Dignidade precisava de alguma ajuda, com coisas que estavam ao meu alcance e que se encaixavam no meu tempo, como material de criação gráfica e ajudar com o novo site. Estou dentro! O sonho de ajudar está se tornando realidade, pois me aproximo cada vez mais deles.

Então fiz o flyer do Fórum GDS para a Parada da Diversidade, com a ajuda de duas amigas mais que especiais, Ana e Indi, e consegui o apoio da gráfica OPTA para a impressão. Que felicidade! Veio o pedido de ajuda lá do querido Igor do Jovem Dignidade, e eu consegui ajudar. Entregamos para as pessoas nas baladas e nas ruas, o flyer que chamava o “sinal verde para a liberdade”. Conheci o Marcio Marins, presidente da APPAD do sábado que antecedia a Parada e ganhei uma camiseta para participar estampando meu apoio. Não pude participar das reuniões da organização da Parada, mas no domingo 27/09 eu estava cedinho lá, disponível para o que precisassem. Então, eu ganhei a “camiseta laranja”, a cor dos organizadores do evento! Me senti honrada. Dei carona para a praça da concentração para o Igor, Alberto, Juliana e aquela moça linda que espero possa me perdoar por esquecer seu nome. Eles estavam nervosíssimos, pois dali a pouco começaria o grande evento curitibano pela diminuição do preconceito contra LGBT. Ajudei com o que precisaram para os últimos detalhes e corri em casa almoçar.

Filhote voltou para lá comigo. Estacionamos no Mueller e de lá de cima tirei as primeiras fotos da concentração. Tudo lindo, cheio de gente e colorido. Descemos e fomos para o meio do povo, vimos o pronunciamento das autoridades e a contagem regressiva. Tudo perfeito!

a concentração

a concentração

Marisinha, amiga querida e mãe também, mostrando sua força

Amiga querida e mãe também, mostrando sua força

Deputado Dr Rosinha, Toni Reis - presidente da ABGLT e demais autoridades abrindo o evento

Deputado Dr Rosinha, Toni Reis - presidente da ABGLT e demais autoridades abrindo o evento

Rafa Wiest, presidente do Dignidade, estava lindíssima!

Rafa Wiest, presidente do Dignidade, estava lindíssima!

Mais fotos do estacionamento do shopping. Eu estava maravilhada de ver tanta gente unida pelos seus direitos. Voltamos para a avenida Cândido de Abreu e o Igor, presidente do Voz/ Jovem Dignidade chamou para subirmos no Trio Magia, o carro principal, de abertura, e que levava os grandes nomes paranaenses da luta LGBT. De lá eu não saí mais, e só vi alegria no rostinho das pessoas em volta. Não vi violência, mas sim famílias com seus filhos. Não vi baixaria, mas sim pessoas que se amam podendo demonstrar carinho publicamente. Não vi drogas, mas sim muita adrenalina nas veias de pessoas felizes.  Toni, David, Rafa, Igo, Marcio, Marli, Igor e seus amigos, meus parabéns por tudo o que vocês conseguiram nesse dia 27/09, em Curitiba. A festa estava maravilhosa.

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"tudo junto e misturado" - viva a diversidade!

"tudo junto e misturado" - viva a diversidade!

Espero que tenham gostado desse post.

Um beijo carinhoso.

Faça diferente

junho 7, 2009

Você consegue, você pode fazer, não deixe passar. Engate uma terceira marcha e acelere um pouco mais. Não fique dando desculpas, erga essa cabeça e encare a sua vida. A vida é só essa! Até que se prove, você não vai voltar para refazer, consertar, pedir perdão, oferecer ajuda, amar.

O que você está fazendo com a sua vida? Pensa que daqui a alguns anos fará diferente? Não fará! Faça agora! Viva o presente. Tem alguém precisando do seu sorriso? Você magoou alguém? Na esquina encontrou uma pessoa que te olhou atravessado, que não te cumprimentou, ou te olhou de cara fechada? Então faça diferente. Você não tem poder sobre as ações dos outros, mas tem poder sobre as suas. Ofereça um sorriso sem esperar retribuição. Por que você não pede perdão pelo que fez? Olhe nos olhos. Diga que está arrependido. Cumprimente com um “bom dia” mesmo sem esperar o retorno. Olhe para as pessoas com um sorriso nos lábios. Faça por você, sem esperar nada em troca.

Você é um ser único e merece a felicidade. Compare a vida com um piso de lajotas, e que você precisa pisar em todos para poder caminhar. Imagine que cada lajota dessas é alguém com quem você convive. Uma delas é a sua família, seu pai, sua mãe; seu filho, sua filha; seu irmão, sua irmã; uma tia querida; um sobrinho amado. Outro ladrilho é o seu amigo, suas amigas. Tem a lajota do seu trabalho, com o seu dia-a-dia, seus colegas, funcionários, chefes, clientes, fornecedores. Uma dessas lajotas é a sua saúde física. Outra é a sua saúde mental, estar bem consigo mesmo, fiel aos seus princípios. Imagine-se sem uma delas, sem poder pisar na lajota que estão os seus amigos. Você vai acabar caindo sem poder contar com esse passo. É assim a nossa vida, nós precisamos pensar que para essa caminhada ter um belo trajeto esses ladrilhos precisam estar todos ali, e que se algum deles faltar, teremos o outro para nos apoiar.

Você é o único responsável pelo seu caminho. As lajotas lhe oferecerão apoio mas você precisa atentar para que todas estejam ao seu redor. E estão? É a sua vida! O que você está fazendo com a sua vida?

Um lindo e maravilhoso dia pra você!

Nesse link está a entrevista de uma das minhas amigas/mães do GPH – Grupo de Pais de Homossexuais, e que eu falei que explicaria o que é. Fundado pela Edith Modesto, quando soube da homossexualidade do próprio filho e ao buscar alguém como ela, não conseguiu encontrar, por isso resolveu fundar esse grupo.

Quando meu filho me contou que é gay, sofri, chorei, fiz mil perguntas a ele do tipo “tem certeza filho, não é só uma fase?”, “mas você sabe porque aconteceu isso, será que é culpa minha, será que é culpa do seu pai?”, mas somente por poucos dias, graças a meu histórico de vida. No dia seguinte, e nessa hora eu tenho certeza de que conhecemos pessoas ao longo das nossas vidas porque precisaremos delas em nossa caminhada, liguei para um casal, que são dois meninos maravilhosos vivendo um relacionamento de mais de 10 anos e que conhececíamos a pouco mais de um ano, e contei pra eles. Eles me receberam em sua casa, me acolheram, e o que ouvi foi “… seja bem-vinda! Você verá que nossa classe é maravilhososa, levamos tudo numa boa, com bastante alegria”. A ajuda deles foi fundamental, pois eu tinha muito medo de contar para o meu marido e nessa hora eles me tranquilizavam duvidando que meu marido pudesse agredir de alguma forma nosso filho. Passou uma, duas semanas. Trocávamos depoimentos pelo orkut, eu frequentava o estabelecimento comercial deles, eles me emprestaram livros e panfletos explicativos, tudo escondido. Aqui cabe um parênteses: meu filho e minha filha de 13 anos foram maravilhosos, sempre muito unidos, tiveram uma paciência incrível comigo ouvindo meus choramingos e me ajudando a entender toda essa reviravolta nas nossas vidas (amo muito vocês dois, mas saber que vocês sabem e sentem isso é o mais legal disso tudo!). Acabei descendo ao fundo de um poço depois de 20 dias, quando contei para o pai deles. Sofri muito junto e chorava, mal conseguia trabalhar, preocupada com esse pai que como eu não foi educado para ter um filho gay. Jamais saberíamos lidar com isso sozinhos.

E foi buscando ajuda para poder apoiar meu marido que encontrei o GPH. O GPH é uma ONG que tem o grupo presencial e também um grupo fechado no Yahoo, onde as mães escrevem e todas lêem e comentam. Fui recebida de braços abertos, por muitas mães com respostas de carinho, com casos parecidos, outras em situações bem mais complicadas. Edith, que também é autora de dois livros que ajudam muito os pais no processo da aceitação de ter um filho diferente: “Vidas em Arco-Íris” e “Mãe sempre sabe? Mitos e verdades sobre pais e seus filhos homossexuais”, tem uma vasta experiência com mães, pais e filhos e com um jeitinho todo especial consegue contribuir sempre no processo de aceitação de tantas famílias.

Obrigada mães queridas por tudo o que aprendi com vocês! Maravilhosas!