Essas imagens são da campanha contra a discriminação, criada pela agência holandesa imagine’.  Mostra um pouco da angústia vivida pelos nossos conhecidos lés, gays, bi, e ainda mais pelos queridos trans e travestis, por não poderem ser quem realmente são, por terem que esconder seu verdadeiro eu.

Logo que soube do meu filho me coloquei no lugar dele, na tentativa de imaginar pelo que ele deve ter passado e ainda passa. O papel dos pais é decisivo, e podemos ler mais sobre isso nesse artigo aqui, escrito pelo filósofo Paulo Ghirardelli Jr., perto do dia dos pais, comemorado nesse mês. Mas não é fácil ser pai e mãe de um filho diferente. Não é mesmo.

A aceitação para alguns é mais fácil, mas para a maioria é sofrida e leva tempo. E sabe o porquê? Porque nenhum pai ou mãe foi preparado para ter/educar um filho ou uma filha homossexual. Isso é muito bem lembrado pelo Ghirardelli nesse texto, uma vez que os pais imaginam os filhos como uma extensão de si próprios. Quando a mulher engravida, ou antes até, os sonhos já começam junto com as idealizações do futuro desse filho. Se for homem, será o “pegador”, terá uma carreria maravilhosa, casará depois de viver uma plena juventude do macho ideal. Se for menina, será educada para ser boazinha, super feminina, casar bem (bem = marido rico), gerar filhos e educa-los da mesma forma que a mamãe fez. Tudo igualzinho, sem sair dos padrões. E então, se o filho que cresceu é diferente disso, começa o sofrimento de ambos os lados.

Inicia-se um aprendizado. Os pais tem que olhar para um outro filho, e entenderem que é uma vida em separado, que não tem total poder sobre esses novos seres. A idealização do que seria o futuro desse filho terá que ser repensada e reaprendida. É um longo caminho a ser percorrido. Filhos, tenham paciência com seus pais, pois talvez eles sejam como os pais do texto do Ghirardelli, pais que imaginaram vocês sendo a extensão deles, e mais ainda,  sendo tudo o que eles não conseguiram ser. Se fosse possível prever, pais assim jamais deveriam ter se tornado pais.

Em seu texto, o autor nos diz que “a pessoa que quer ser pai deveria, antes de ter filhos, olhar para o espelho e falar: não sou deus, portanto, o que vier como filho, não poderá ser alterado por mim, e terei de não só aceitar, mas amar.” Nossa sociedade está doente e um dos causadores dessa doença é o altruísmo dos pais, do “eu sou” e “meu filho é”, e quando esse pai não pode falar o que o filho é, a doença se agrava, podendo ser fatal. O preconceito vem disso, do desconhecimento, da impaciência e da intolerância com o que é diferente do que para eles seria o ideal.Não querer pensar, não querer aprender.

Vocês são guerreiros, são heróis, são seres evoluídos, vão ensinar eles a repensar e a reaprender. Mas tenham paciência, e procurem ajudar. Eles precisam de vocês. Mas não angustie se não for bem sucedido nessa tarefa. Se você tentou e não resultou em nada, não se preocupe porque não é só sua essa responsabilidade. Eles perderam esse filho. Eles não merecem esse filho.

Beijos da mommy.

Faça diferente

junho 7, 2009

Você consegue, você pode fazer, não deixe passar. Engate uma terceira marcha e acelere um pouco mais. Não fique dando desculpas, erga essa cabeça e encare a sua vida. A vida é só essa! Até que se prove, você não vai voltar para refazer, consertar, pedir perdão, oferecer ajuda, amar.

O que você está fazendo com a sua vida? Pensa que daqui a alguns anos fará diferente? Não fará! Faça agora! Viva o presente. Tem alguém precisando do seu sorriso? Você magoou alguém? Na esquina encontrou uma pessoa que te olhou atravessado, que não te cumprimentou, ou te olhou de cara fechada? Então faça diferente. Você não tem poder sobre as ações dos outros, mas tem poder sobre as suas. Ofereça um sorriso sem esperar retribuição. Por que você não pede perdão pelo que fez? Olhe nos olhos. Diga que está arrependido. Cumprimente com um “bom dia” mesmo sem esperar o retorno. Olhe para as pessoas com um sorriso nos lábios. Faça por você, sem esperar nada em troca.

Você é um ser único e merece a felicidade. Compare a vida com um piso de lajotas, e que você precisa pisar em todos para poder caminhar. Imagine que cada lajota dessas é alguém com quem você convive. Uma delas é a sua família, seu pai, sua mãe; seu filho, sua filha; seu irmão, sua irmã; uma tia querida; um sobrinho amado. Outro ladrilho é o seu amigo, suas amigas. Tem a lajota do seu trabalho, com o seu dia-a-dia, seus colegas, funcionários, chefes, clientes, fornecedores. Uma dessas lajotas é a sua saúde física. Outra é a sua saúde mental, estar bem consigo mesmo, fiel aos seus princípios. Imagine-se sem uma delas, sem poder pisar na lajota que estão os seus amigos. Você vai acabar caindo sem poder contar com esse passo. É assim a nossa vida, nós precisamos pensar que para essa caminhada ter um belo trajeto esses ladrilhos precisam estar todos ali, e que se algum deles faltar, teremos o outro para nos apoiar.

Você é o único responsável pelo seu caminho. As lajotas lhe oferecerão apoio mas você precisa atentar para que todas estejam ao seu redor. E estão? É a sua vida! O que você está fazendo com a sua vida?

Um lindo e maravilhoso dia pra você!

Olhar nos olhos

março 16, 2009

Eu penso que ter tido a oportunidade de educar meus filhos foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. E ainda está sendo. Meu menino e minha menina serão por mim para sempre, ou, melhor, enquanto vivermos. Sinto isso, não precisa ser dito. Quando falam que não se pode ser amigo dos filhos, que pai e mãe devem manter um certo distanciamento e não conversar sobre tudo com os filhos, confesso que sinto uma certa maldade nisso. Coisa de gente que não consegue sentir esse amor espontâneo. Coisa de gente que não se permite, que se esconde, que se justifica o tempo inteiro.

Como não conversar sobre tudo com eles? Amo, apaixono, fico fitando eles sem desgrudar os olhos quando vêm me contar alguma coisa, seja dos namorados, seja dos ficantes, seja dos amigos, da escola, da faculdade, dos professores, simplesmente fico em êxtase por poder ajudar e aconselhar. Quero pegar no colo, cuidar. As vezes penso e converso com amigas e com o marido, que como não tive isso, não tive nem de perto essa proximidade com os meus pais, de alguma forma compenso por eles, agindo como eles não agiram comigo.

Fui criada no grito e com uma barreira intransponível entre mim e minha mãe, entre mim e meu pai. Minha mãe, quando vem ao meu encontro quando chego na casa dela, não me olha nos olhos. Isso me arrasa. Eu já aprendi a perdoa-la, por ela ser assim, justificando que o pai e a mãe dela foram assim com ela e portanto ela não aprendeu. As vezes adianta. As vezes não. Com meu pai também foi assim, com o agravante de minha mãe o ter afastado de mim e dos meus irmãos, pintando ele pra gente como um monstro. Quantas brigas presenciei, vendo meu irmão, um ano mais novo, gritando agarrado as pernas do pai e dizendo não, por favor não vá embora. Hoje sou mais mãe do que filha deles.

As vezes brinco com meus colegas e amigos me perguntando poxa, porque não nasci neta da Lia Luft, ou filha da Guru Marise? Eu faço diferente do que vivi, talvez hoje em dia, pois claro que no início do meu relacionamento, novinha, imatura, influenciada pela minha educação extremamente machista, também briguei na frente deles, também os afastei do pai deles, também fui submissa, também fui uma mãe e esposa mártir e sofredora, que só sabia reclamar. Eu vivi durante anos o modelo herdado da minha avó materna e da minha mãe. Sofri. Custou. Repeti o que era melhor pra mim inúmeras vezes, tentando sem desistir. Interiorizei. Mudei. Tive outras mães pelo caminho da vida. Amigas mães. Tias mães. Marido mãe. Filhos mãe também, e nossa!, todo dia aprendo com eles!

Será que é tão difícil o caminho do coração, esse que usamos todo o dia lá em casa? O caminho do meu é meio tortuoso, meio teimoso querendo se desviar e com algumas pedras rancorosas. Uma dificuldaaade para aceitar um pedido de desculpas? O do maridão é uma serra ensaboada, um tobogã, mas que tem uma porta de madeira, com algumas coisas que entalharam nela e meio pesada pra empurrar. O dos filhotes acaba pegando um pouco do jeitão da gente de tanto passar por esses dois caminhos. Mas estão em obras, moldando com seus operários, e tratando de cuidar do deles. Sabe que nossas obras de reparos começaram há um tempo também? Complicado, mas não impossível. E os filhotes estão sabendo ser pacientes e vibram (embora não divulguem) com cada pedacinho reparado dos caminhos. Contrataram umas equipes boas pra ajudar.

Já disse que amo vocês hoje? Não?! Então, eu te amo.