panfleto-forum-appad-2009

Oi queridos!

Está aí o panfleto (e também na gráfica para ser impresso) que vai divulgar a ação que clama pelo fim da violência contra LGBT. O Fórum Paranaense de Gênero e Diversidade Sexual em conjunto com a APPAD, Associação Paranaense da Parada da Diversidade,  teve a iniciativa de mobilizar a comunidade curitiba a ir para rua pedir o fim da violência contra LGBT. E eu ajudei queridos, e fiquei muito feliz, pois junto com minhas amigas fizemos o panfleto para divulgação da ação. Um agradecimento especial à Optagraf, que patrocinará a impressão dos panfletos.

O recado está dado: venha para a Parada da Diversidade com sua faixa e camiseta pedindo paz e o fim da violência e impunidade.

Um beijo carinhoso.

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Arco-Íris

setembro 13, 2009

cyndi_lauper

Eu não falo inglês e também leio muito pouco. O grave problema que enfrento com isso é conhecer algumas canções e passar batida pelas lindas letras que elas tem e que poderiam de alguma forma me emocionar e aumentar a minha admiração por quem as compôs e/ou interpretou. Navegando hoje pelo twitter (essa maravilha compacta! viva a internet!), via @lupe1482 e @manucarvalho assisti no YouTube os vídeos “Homossexuality and the Bible”, e no final toca True Colors, segundo o Vagalume composta por Cyndi Lauper e Phil Collins. Eu já estava emocionada com o final do vídeo, no qual a fala do bispo sul-africano Desmond Tutu, que não a toa recebeu o Nobel da Paz em 1984, nos diz “eu não consigo, do fundo da minha alma, imaginar que Deus dirá ‘Eu te castigarei porque és negro, devias ser branco.’ ‘Te castigarei porque és mulher, devias ser homem.’ ‘Te castigo porque és homossexual, devias ter sido heterossexual.'” A religiosidade foi um dos fatores que me atrapalharam um pouco para aceitar totalmente meu filho, e que com toda a certeza em muito atrapalharão quando a minha mãe souber do neto. Nãe será fácil e precisarei lhe dar tempo e terei que ajuda-la a entender e conhecer a homossexualidade como eu fiz. Mas sei que o amor superará qualquer desses fatores, e que terei minha mãe como aliada quando ela souber e aceitar.

“É difícil criar coragem,
Num mundo cheio de pessoas…”

Cores Reais
Cyndi Lauper/Phil Collins

“Você, com olhos tristes,
Não fique desanimada.
Oh, eu sei,
É difícil criar coragem,
Num mundo cheio de pessoas
Você pode perder tudo de vista,
E a escuridão dentro de você
Pode te fazer sentir tão insignificante…

Mas eu vejo suas cores reais
Brilhando por dentro.
Eu vejo suas cores reais
E é por isso que eu te amo.
Então não tenha medo de deixá-las aparecerem,
Suas cores reais.
Cores reais são lindas como um arco-íris.

Mostre-me um sorriso então,
Não fique infeliz,
Não me lembro
Quando foi a última vez que vi você rindo.
Se este mundo te deixa louca
E você aguentou tudo que consegue tolerar,
Me chame,
Porque você sabe que estarei lá…

E eu verei suas cores reais
Brilhando por dentro.
Eu vejo suas cores reais
E é por isso que eu te amo.
Então não tenha medo de deixá-las aparecerem,
Suas cores reais.
Cores reais são lindas como um arco-íris…”

“E você aguentou tudo que consegue tolerar,
Me chame,
Porque você sabe que estarei lá…”

Um beijo grande, e um colo, aos meus queridos LGBT e amigos.

Essas imagens são da campanha contra a discriminação, criada pela agência holandesa imagine’.  Mostra um pouco da angústia vivida pelos nossos conhecidos lés, gays, bi, e ainda mais pelos queridos trans e travestis, por não poderem ser quem realmente são, por terem que esconder seu verdadeiro eu.

Logo que soube do meu filho me coloquei no lugar dele, na tentativa de imaginar pelo que ele deve ter passado e ainda passa. O papel dos pais é decisivo, e podemos ler mais sobre isso nesse artigo aqui, escrito pelo filósofo Paulo Ghirardelli Jr., perto do dia dos pais, comemorado nesse mês. Mas não é fácil ser pai e mãe de um filho diferente. Não é mesmo.

A aceitação para alguns é mais fácil, mas para a maioria é sofrida e leva tempo. E sabe o porquê? Porque nenhum pai ou mãe foi preparado para ter/educar um filho ou uma filha homossexual. Isso é muito bem lembrado pelo Ghirardelli nesse texto, uma vez que os pais imaginam os filhos como uma extensão de si próprios. Quando a mulher engravida, ou antes até, os sonhos já começam junto com as idealizações do futuro desse filho. Se for homem, será o “pegador”, terá uma carreria maravilhosa, casará depois de viver uma plena juventude do macho ideal. Se for menina, será educada para ser boazinha, super feminina, casar bem (bem = marido rico), gerar filhos e educa-los da mesma forma que a mamãe fez. Tudo igualzinho, sem sair dos padrões. E então, se o filho que cresceu é diferente disso, começa o sofrimento de ambos os lados.

Inicia-se um aprendizado. Os pais tem que olhar para um outro filho, e entenderem que é uma vida em separado, que não tem total poder sobre esses novos seres. A idealização do que seria o futuro desse filho terá que ser repensada e reaprendida. É um longo caminho a ser percorrido. Filhos, tenham paciência com seus pais, pois talvez eles sejam como os pais do texto do Ghirardelli, pais que imaginaram vocês sendo a extensão deles, e mais ainda,  sendo tudo o que eles não conseguiram ser. Se fosse possível prever, pais assim jamais deveriam ter se tornado pais.

Em seu texto, o autor nos diz que “a pessoa que quer ser pai deveria, antes de ter filhos, olhar para o espelho e falar: não sou deus, portanto, o que vier como filho, não poderá ser alterado por mim, e terei de não só aceitar, mas amar.” Nossa sociedade está doente e um dos causadores dessa doença é o altruísmo dos pais, do “eu sou” e “meu filho é”, e quando esse pai não pode falar o que o filho é, a doença se agrava, podendo ser fatal. O preconceito vem disso, do desconhecimento, da impaciência e da intolerância com o que é diferente do que para eles seria o ideal.Não querer pensar, não querer aprender.

Vocês são guerreiros, são heróis, são seres evoluídos, vão ensinar eles a repensar e a reaprender. Mas tenham paciência, e procurem ajudar. Eles precisam de vocês. Mas não angustie se não for bem sucedido nessa tarefa. Se você tentou e não resultou em nada, não se preocupe porque não é só sua essa responsabilidade. Eles perderam esse filho. Eles não merecem esse filho.

Beijos da mommy.

Achei oportuno reproduzir aqui as respostas dos leitores à entrevista das Páginas Amarelas da revista Veja. Para podermos pensar. E também pelo fato de publicarem a resposta do querido Toni Reis, grande homem da luta contra o preconceito.

Data: 17/08/2009

Veículo: VEJA

Assunto principal: LGBT

Parabéns à jornalista Juliana Linhares pela coerência das perguntas feitas na entrevista com Rozângela Alves Justino. Infelizmente não podemos parabenizar a entrevistada. A psicóloga fere frontalmente os princípios da ciência, a Organização Mundial de Saúde e o código de ética de sua profissão ao pretender mudar a orientação sexual dos homossexuais com base em suas convicções religiosas. Na mesma semana dessa entrevista, a Associação Americana de Psicologia (APA) declarou que “não há evidência alguma que apoie a afirmação de alguns profissionais de que a orientação sexual pode ser alterada por terapia”. No exercício da profissão de psicólogo, deve haver o respeito à cidadania das pessoas LGBT, e não o incentivo ao preconceito, à discriminação e ao estigma. Nas palavras da juíza Emília Maria Velano, em sentença sobre a alegação de inconstitucionalidade feita por Rozângela quanto à Resolução 001/99 do Conselho Federal de Psicologia: “O Conselho Federal de Psicologia tem a obrigação de reprimir esse comportamento, principalmente no que concerne ao tratamento de homossexuais em consultórios de psicologia, como se fossem doentes sujeitos a transtornos”.

Toni Reis

Presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT)

VEJA marcou um gol de placa entrevistando a psicóloga Rozângela Alves Justino (Amarelas, 12 de agosto). Essa entrevista entra para a história do bom jornalismo. A voz que faltava foi ouvida: a psicóloga punida pelo Conselho Federal de Psicologia por atender os homossexuais que a procuram. A jornalista Juliana Linhares foi incisiva nas perguntas que fez, e as respostas da psicóloga foram diretas e muito reveladoras. Parabéns pelo fino senso jornalístico da revista, ao perceber o anseio dos leitores por ouvir essa voz. Parabéns à psicóloga por arriscar sua carreira afirmando que continuará fazendo o que em consciência julga seu dever profissional fazer.

Luiz Roberto de Barros

Santos São Paulo, SP

A 43ª Assembleia-Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1990, retirou a homossexualidade da sua lista de doenças ou transtornos mentais, suprimindo-a do Código Internacional de Doenças (CID-10) a partir de 1993. A OMS diz explicitamente: “A orientação sexual por si não é vista como transtorno”. Em consonância com essa perspectiva, o CFP, responsável pela regulamentação profissional dos psicólogos no Brasil, publicou em 1999 resolução que proíbe o tratamento da homossexualidade como doença e, portanto, a oferta de cura a algo que não é uma enfermidade. O conselho, dentro de suas atribuições, atua para que o desenvolvimento da psicologia no Brasil esteja alinhado com as necessidades de uma sociedade democrática, inclusiva e respeitadora da diversidade.

Humberto Verona

Presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP) Brasília, DF

Parabéns, VEJA, por publicar uma entrevista tão oportuna com a psicóloga Rozângela Alves Justino. Sou médico pediatra há mais de quarenta anos e sempre considerei o homossexualismo um distúrbio do comportamento, e acho que, como tal, ele deve ser tratado. Quando uma mãe se queixa de que seu filho está com essa tendência, aconselho-a a procurar um psicólogo ou psiquiatra para que ela seja demovida. A “homofobia”, tão falada hoje, nada mais é do que um sentimento natural daqueles que respeitam as leis de Deus e da natureza.

Silas Leite Prado

Médico pediatra Belo Horizonte, MG

Apoio todas as afirmações da psicóloga Rozângela Alves Justino e seu trabalho na reabilitação de homossexuais. Até a 9ª Revisão da CID, realizada em 1975, esse comportamento era classificado como perversão sexual. Em 1985, foi classificado como distúrbio social, e na 10ª REV CID, de 1995, não foi mais considerado perversão. Antigamente, a homossexualidade era transgressão penal (Oscar Wilde foi preso por isso), depois passou a ser perversão sexual. Hoje é obrigação sexual. Atualmente, pervertidos somos nós, os heterossexuais (!).

Victor Leonardo da Silva Chaves

Médico Rio de Janeiro, RJ

Mesmo sendo heterossexual, gostaria de expressar minha indignação no que diz respeito à entrevista que a psicóloga Rozângela Alves Justino concedeu a VEJA. Suas respostas corroboram a tese de que, de tanto ouvirem possíveis vulnerabilidades alheias, esses profissionais acabam entrando em parafuso e, em vez de ajudar, colocam mais “minhocas” na cabeça dos pacientes. Ponto para o Conselho Federal de Psicologia.

Ricardo Granatowicz

São Paulo, SP

Perplexo, triste, em choque. Foi assim que me senti ao ler a entrevista. Como, em plena era do Twitter, ainda é possível existir uma profissional que exerce sua profissão dessa forma? Não seria mais uma charlatã criando uma fórmula para encher seus cofres? Veio-me à cabeça o dia em que concedi entrevista a este mesmo veículo, e quando, com a mesma jornalista Juliana Linhares, decidi abrir o meu coração e falar da minha vida. Sofrimentos, preconceitos que um gay sofre em nossa sociedade desde criança. Pensei: o que será que mudou? Lembrei-me das centenas de cartas que recebi de mães de filhos gays dizendo que com a minha história passaram a enxergar o coração de seus filhos de outra forma. Vivemos em uma sociedade com formatos predeterminados desde o nosso nascimento. Mudar isso e fazer com que sejamos respeitados é muito difícil. Estamos vencendo barreiras e mostrando que somos iguais. Na condição de gay e descendente direto do povo judeu, senti-me desrespeitado em diversas áreas. Considero que essa senhora mereceria as punições mais severas possíveis por não saber fazer uso da palavra como psicóloga e por estar pregando um retrocesso em nossa sociedade.

Bruno Chateaubriand

Rio de Janeiro, RJ

FONTE: DST-AIDS – Assessoria de Comunicação

Publicado na Revista Veja

Tenho um filho gay

agosto 28, 2009

Ter um filho gay é mesmo estranho. Eu já levava a vida de certa forma analisando tudo, por conta de ter feito 2 anos de terapia, mas depois daquela noite de quinta-feira tudo mudou. Terei que falar sobre isso anonimamente, pelo simples fato de que preciso esperar meu marido aceitar que temos um filho gay. Mas na noite de quinta-feira, dia 29 de maio de 2008, eu, no mínimo, parei e passei a pensar no que realmente importa nessa vida. Eu sou uma pessoa melhor desde esse dia. É estranho ter que conviver com essa realidade. Mas eu sou uma pessoa melhor porque tenho um filho gay. Vou explicar para quem não sabe. Mas com um parênteses. Vou explicar da forma que entendo. Vou explicar como explico para as minhas amigas. Vou explicar para eu poder entender e interiorizar, diminuindo inclusive o meu preconceito e contribuindo com a minha aceitação desse fato. A homossexualidade sempre existiu. Como diz uma das minhas amigas era um mundo paralelo, que existia ao meu lado mas que eu não enxergava. Meu filho é gay. A filha dessa minha amiga é lésbica. Tem mãe que tem um filho bissexual. Tem mãe que tem uma filha travesti. Existem pessoas que são transexuais. Além deles têm os intersexuais (denominação que coloca em desuso o termo “hermafrodita”). Daí vem a sigla LGBTT. Mas depois eu explico melhor tudo isso. Já disse que sou uma pessoa melhor. Isso é a minha vida. Ser uma intrépida mãe é o meu destino desde que aos 13 anos fiquei grávida desse meu menino, que há quase um ano me disse mãe eu fiquei com um menino, estou gostando dele, e a gente está namorando. Muita coisa já vivi e encarei de frente. Confesso que muitas vezes sem pensar muito pelo simples fato de que não podia parar para pensar. Não tinha como fazer isso. A vida me cobrava, jogava os desafios na minha cara dizendo vai e faz acontecer. E assim foi. E assim está sendo. E assim para sempre vai ser. Às vezes brinco com as minhas amigas e amigos que eu gostaria de ser uma menininha fútil que não precisa se preocupar com mais nada a não ser ir no salão de beleza, na academia, no shopping, curtindo a vida numa boa. Para mim isso é impossível. Alguma coisa dentro de mim faz com que eu queira fazer a diferença na vida de quem me cerca, pois é muito forte o meu lado mãe. Estou sempre querendo ajudar, mesmo que não me peçam. Por vezes crio desafetos momentâneos por falar demais, me intrometer demais, por ficar fazendo analogias ilustrativas que façam pensar, com o objetivo de desconstruir preconceitos. Faço isso para os meus filhos e pelos meus filhos. Faço isso porque quero viver num mundo melhor, mais justo, mais tolerante, com mais amor. Se foi o fato de que tenho um filho gay e que sofre com a discriminação que me fez parar para pensar, refletir, mudar, isso não importa. Dar o primeiro passo é meu início dessa caminhada eterna. Quero continuar crescendo, apreendendo e ajudando.

Faça diferente

junho 7, 2009

Você consegue, você pode fazer, não deixe passar. Engate uma terceira marcha e acelere um pouco mais. Não fique dando desculpas, erga essa cabeça e encare a sua vida. A vida é só essa! Até que se prove, você não vai voltar para refazer, consertar, pedir perdão, oferecer ajuda, amar.

O que você está fazendo com a sua vida? Pensa que daqui a alguns anos fará diferente? Não fará! Faça agora! Viva o presente. Tem alguém precisando do seu sorriso? Você magoou alguém? Na esquina encontrou uma pessoa que te olhou atravessado, que não te cumprimentou, ou te olhou de cara fechada? Então faça diferente. Você não tem poder sobre as ações dos outros, mas tem poder sobre as suas. Ofereça um sorriso sem esperar retribuição. Por que você não pede perdão pelo que fez? Olhe nos olhos. Diga que está arrependido. Cumprimente com um “bom dia” mesmo sem esperar o retorno. Olhe para as pessoas com um sorriso nos lábios. Faça por você, sem esperar nada em troca.

Você é um ser único e merece a felicidade. Compare a vida com um piso de lajotas, e que você precisa pisar em todos para poder caminhar. Imagine que cada lajota dessas é alguém com quem você convive. Uma delas é a sua família, seu pai, sua mãe; seu filho, sua filha; seu irmão, sua irmã; uma tia querida; um sobrinho amado. Outro ladrilho é o seu amigo, suas amigas. Tem a lajota do seu trabalho, com o seu dia-a-dia, seus colegas, funcionários, chefes, clientes, fornecedores. Uma dessas lajotas é a sua saúde física. Outra é a sua saúde mental, estar bem consigo mesmo, fiel aos seus princípios. Imagine-se sem uma delas, sem poder pisar na lajota que estão os seus amigos. Você vai acabar caindo sem poder contar com esse passo. É assim a nossa vida, nós precisamos pensar que para essa caminhada ter um belo trajeto esses ladrilhos precisam estar todos ali, e que se algum deles faltar, teremos o outro para nos apoiar.

Você é o único responsável pelo seu caminho. As lajotas lhe oferecerão apoio mas você precisa atentar para que todas estejam ao seu redor. E estão? É a sua vida! O que você está fazendo com a sua vida?

Um lindo e maravilhoso dia pra você!

Se descobrindo…

abril 30, 2009

Olá queridos..
Queria falar um pouco sobre a descoberta da sexualidade, pois conversando ontem com o meu filho sobre o seu namorado e sobre suas vontades e desejos, acabamos falando sobre as diferentes formas de se perceber diferente, ou melhor, os diferentes tempos de se descobrir diferente. Pode acontecer no final da infância, como foi com ele, pois se percebia diferente dos colegas da escola já depois dos seus 10 anos de idade. Acabou não tendo nenhuma experiência, penso que por não ter tido oportunidade. Outros percebem seus desejos na adolescência e tratam de buscar o seu caminho como podem: talvez negando, talvez vivenciando, talvez correndo riscos, talvez se escondendo.
Meu filho me pediu para fazer terapia quando tinha 13 anos. Ele mudou de colégio com essa idade e sofreu muito com a conquista de novos amigos e com as implicâncias dos não tão amigos. E ela era de poucos amigos, sempre foi, desde a infância. Ele me disse: quero entender o porquê sou diferente dos outros, porque não gosto de futebol, quero saber porquê minha cabeça é assim, porque tenho esses pensamentos. Alguns anos antes, ele visitou sites de pornografia masculina, escondido, mas vimos no histórico do navegador. Conversei com ele numa boa, mas não queria acreditar, então “concordamos” que era porque ele estava entendendo como as coisas funcionavam. Passou. Ele nunca ficou com nenhuma menina até hoje. Quando contou que era gay me disse: mãe, você precisa ficar com mulher para saber que não gosta? E foi assim, simples, ele nunca ficou com mulher e diz que nunca vai ficar.
Já com outros jovens pode ser diferente, pois cada um tem o seu tempo. Tenho um amigo que chegou a noivar, mas com 29 anos disse para a moça que não queria mais engana-la e nem enganar a si próprio, então assumiu a sua homossexualidade e hoje é casado com seu companheiro há mais de 10 anos.
Entender e aceitar o modo que cada um escolhe, ou que a vida determina, para ser feliz é uma tarefa nada fácil, pois o estranhamento que não conseguimos evitar quando vemos uma troca de carinho entre pessoas ditas diferentes é comum a todos nós. O que pode acontecer é que nos obrigamos a olhar, e nos acostumamos. Seja pelo amor aos nossos filhos, seja pela convivência tolerante com algum colega, seja pelo respeito às individualidades de cada ser humano, seja pelo espaço que também é do casal de lésbicas na mesa do restaurante. Cada um sofreu e sofre as delícias e amarguras de uma sociedade que cada vez mais convive com a diversidade. Cada um a seu tempo.